PP veta Tereza Cristina como vice de Flávio Bolsonaro e mantém neutralidade na disputa presidencial
Decisão do Progressistas inviabiliza composição da senadora sul-mato-grossense na chapa do PL
O Progressistas (PP) anunciou nesta sexta-feira (31) que permanecerá neutro na disputa presidencial de 2026, decisão que inviabiliza a participação da senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A definição foi tomada após consulta aos diretórios estaduais da legenda e comunicada oficialmente à parlamentar.
Horas antes do anúncio, Flávio Bolsonaro havia declarado que Tereza Cristina aceitou o convite para integrar sua chapa, mas destacou que a formalização dependia do aval do partido. Pouco depois, o PP divulgou nota afirmando que, por decisão da maioria de suas lideranças estaduais, optaria por não apoiar nenhum candidato à Presidência da República.
Segundo o comunicado, a decisão também implica a não realização de uma convenção nacional para discutir eventual adesão à campanha do candidato do PL. O partido informou ainda que a posição foi comunicada e acatada por Tereza Cristina, que atualmente lidera a bancada da legenda no Senado.
Resistência interna e interesses regionais
A principal justificativa apresentada por integrantes do PP para a neutralidade é a necessidade de preservar a autonomia dos diretórios estaduais na formação de alianças locais. Lideranças da sigla avaliam que um compromisso nacional poderia dificultar negociações em estados onde os cenários eleitorais são distintos e exigem composições variadas.
Outro fator que pesou na decisão é o fato de o PP integrar uma federação partidária com o União Brasil. Nesse contexto, qualquer alinhamento nacional exigiria consenso entre as duas legendas, o que ampliou as dificuldades para uma eventual adesão ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.
Flávio mantém busca por alianças
Após a decisão do Progressistas, Flávio Bolsonaro afirmou que respeita a posição da legenda, mas indicou que continuará buscando apoios para fortalecer sua candidatura.
“Eu sou brasileiro e não desisto nunca”, declarou o senador ao comentar o posicionamento do PP.
O candidato também agradeceu publicamente a Tereza Cristina pela disposição de integrar a chapa e destacou a importância política da ex-ministra da Agricultura. Além disso, informou que seguirá negociando com outras siglas, entre elas Republicanos, Podemos e União Brasil, para definir o nome que ocupará a vaga de vice-presidente.
Peso político de Tereza Cristina
A senadora sul-mato-grossense era considerada uma das principais opções para compor a chapa presidencial do PL. Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, Tereza Cristina mantém forte interlocução com o agronegócio e é vista como uma liderança capaz de ampliar o diálogo da candidatura com setores produtivos do país.
Com a neutralidade anunciada pelo PP, o cenário eleitoral força o PL a buscar alternativas para a composição da chapa presidencial nas próximas semanas. O prazo para definição da candidatura completa termina em agosto, e a sigla segue em negociações para ampliar sua base de apoio.