Nova frente fria mantém rajadas no Sudeste, mas pior já passou
Meteorologista alerta para ventos de até 50 km/h no Triângulo Mineiro neste sábado, enquanto SP e interior devem ter alívio gradual a partir de segunda
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Uma semana marcada por ventos históricos no Sudeste brasileiro ainda não terminou sem deixar preocupações: uma nova frente fria avança sobre o país neste fim de semana, mantendo rajadas moderadas em partes de São Paulo e Minas Gerais, mas o cenário não deve reproduzir os estragos que deixaram cinco mortos e causaram apagões, destelhamentos e quedas de árvores entre quarta e quinta-feira. A análise é do meteorologista Denis William Garcia, da plataforma Meteored, que aponta redução gradual da intensidade dos ventos ao longo dos próximos dias.
O episódio desta semana foi provocado pelo encontro entre uma massa de ar frio — associada a uma frente fria intensa — e o ar quente que predominava sobre o interior do país. Esse contraste extremo entre massas de ar com características opostas gerou rajadas que superaram 120 km/h em pontos das regiões Sul e Sudeste, resultado comparável a eventos meteorológicos raros para a época. Três pessoas morreram em São Paulo e outras duas no Rio de Janeiro. Cidades como Ribeirão Preto, Santos e outros municípios paulistas concentraram os maiores danos.
Triângulo Mineiro é o ponto de maior atenção neste sábadoEntre as áreas ainda sob alerta, o Triângulo Mineiro é a que exige mais cautela nas próximas horas. A previsão indica rajadas de até 50 km/h para a região neste sábado — intensidade que, embora bem abaixo do registrado no início da semana, ainda representa risco para estruturas mais frágeis e árvores já debilitadas pelos temporais anteriores. "No Triângulo Mineiro, as rajadas podem chegar a 50 km/h neste sábado. Em alguns pontos específicos, principalmente dentro das áreas urbanas, os ventos podem ser potencializados pela canalização entre prédios e construções", explicou Denis Garcia.
O fenômeno de canalização urbana é um fator frequentemente subestimado: corredores formados por edificações altas podem amplificar pontualmente a velocidade do vento, tornando-o mais intenso do que o registrado nas estações meteorológicas convencionais. Moradores de centros urbanos do Triângulo devem redobrar atenção com objetos em áreas abertas, toldos e estruturas provisórias.
Interior de São Paulo tem rajadas menores, mas atenção continuaNo interior paulista, a passagem da nova frente fria também deve gerar ventos neste fim de semana, porém com menor intensidade. Presidente Prudente pode registrar rajadas de cerca de 40 km/h, São José do Rio Preto em torno de 41 km/h e Ribeirão Preto aproximadamente 33 km/h. No litoral, onde Santos foi fortemente afetada no início da semana, a expectativa é de melhora sensível — sem repetição das rajadas extremas dos últimos dias.
"É importante manter a atenção durante o sábado e também no domingo. Ainda teremos rajadas de vento previstas, mas com intensidade menor em relação ao que foi observado nos últimos dias", reforçou o meteorologista. A partir de segunda-feira, a tendência é que os ventos percam força sobre o estado de São Paulo, com rajadas mais expressivas restritas a trechos do Triângulo Mineiro.
O que o leitor sul-mato-grossense precisa saberMato Grosso do Sul não está imune às frentes frias que afetam o Sudeste — ao contrário: a mesma massa de ar polar que gerou o caos em São Paulo e Minas atravessa o território sul-mato-grossense antes de avançar para o Sudeste. Moradores das regiões sul e sudoeste do estado, como Dourados, Ponta Porã e Naviraí, tendem a sentir os efeitos iniciais dessas perturbações atmosféricas com antecedência, na forma de quedas bruscas de temperatura, chuvas rápidas e rajadas pontuais.
Com o fim de semana chegando, quem planeja viagens entre MS e os estados vizinhos — especialmente para o Triângulo Mineiro ou o interior de São Paulo — deve acompanhar a evolução do tempo com atenção. Rodovias como a BR-262, que conecta Campo Grande a Três Lagoas e segue em direção ao Triângulo Mineiro, podem apresentar visibilidade reduzida e piso escorregadio em trechos afetados pela frente fria. A orientação geral dos meteorologistas é de que a situação mais crítica já foi superada, mas a prudência ainda se impõe ao longo deste fim de semana.
A previsão aponta normalização progressiva das condições atmosféricas a partir do início da semana que vem, com ventos mais fracos e menor atividade de frentes frias sobre a maior parte do país — o que deve trazer alívio tanto para o Sudeste quanto para as regiões limítrofes de Mato Grosso do Sul.
Fontes: METEORED