Sebrae capacita artesãos de Corumbá e Ladário para precificar e lucrar

Oficina gratuita realizada no Centro Sebrae Pantanal ensinou artesãos da região a calcular custos, evitar prejuízos e valorizar o próprio trabalho.

Por

Divulgação

Dezenas de artesãos de Corumbá e Ladário participaram na última quinta-feira (30 de julho) de uma oficina gratuita promovida pelo Sebrae/MS, em parceria com a Prefeitura de Ladário, voltada a um dos maiores gargalos da economia criativa regional: saber quanto cobrar pelo próprio trabalho. O encontro aconteceu no Centro Sebrae Pantanal e durou quatro horas, com foco em precificação, controle de custos e estratégias para garantir lucratividade.

A região pantaneira concentra um segmento artesanal expressivo — e muitas vezes subvalorizado. Profissionais que dominam a técnica nem sempre têm familiaridade com a gestão financeira do negócio, o que resulta em preços mal calculados, perda de receita e até prejuízo direto. A capacitação surgiu exatamente para preencher essa lacuna, oferecendo ferramentas concretas que os participantes puderam começar a usar ainda naquela semana.

Mais de 40 mil negócios: o peso do artesanato em MS

Os números revelam a dimensão do setor no estado. Segundo a analista-técnica do Sebrae/MS, Larissa Moraes, 65% dos artesãos formalizados em Mato Grosso do Sul atuam como MEI, e o segmento reúne mais de 40 mil negócios em todo o estado. "No Pantanal, temos uma região muito rica nesse setor e essa oficina veio para fortalecer esses empreendedores", disse a analista, reforçando que dominar as técnicas de precificação é o que separa quem sobrevive de quem prospera na economia criativa.

Durante a capacitação, os participantes aprenderam a montar planilhas de custos, identificar o ponto de equilíbrio financeiro, reduzir riscos em períodos de oscilação do mercado e ampliar os canais de venda — tanto presencialmente quanto pelo ambiente digital. Cada artesão também teve espaço para apresentar sua realidade e refletir sobre os erros e acertos da própria rotina.

Quem perdeu dinheiro por não saber o preço certo

João Rafael Barbosa Barcelos, que há seis meses trabalha integralmente com artesanato em argila, admitiu ter saído no prejuízo antes de participar da oficina. A história de sua família com o artesanato é longa: seu bisavô, João Lemos de Barcelos, produziu bustos que até hoje estão expostos em locais públicos de Corumbá e Ladário — inclusive em frente ao 6º Comando do Distrito Naval. Carregar esse legado não era suficiente para protegê-lo das armadilhas financeiras do setor. "Não tinha noção de como colocar preço. Já vou sair daqui e fazer meus cálculos para ter um preço justo, valorizar meu trabalho e conseguir vender as peças que produzo com muita dedicação", disse ele.

A artesã Auriene Dy Andrade, dona do ateliê Fios de Encanto e especialista em crochê, também destacou o impacto prático do conteúdo. "Foi muito importante eu entender exatamente como devo fazer os cálculos para garantir lucro, cobrir custos e criar uma segurança financeira para mim", afirmou. Para ela, a oficina não apenas respondeu dúvidas antigas — ajudou a traçar um plano de ação para as próximas semanas.

Pantanal como polo criativo e o papel do Sebrae na fronteira

A iniciativa reflete um movimento mais amplo do Sebrae/MS de aproximar suporte técnico de empreendedores em regiões geograficamente distantes dos grandes centros. Corumbá e Ladário, situadas na fronteira com a Bolívia, concentram uma produção artesanal com identidade cultural forte — do couro ao barro, passando por fibras naturais e peças que dialogam com a fauna e a paisagem pantaneira.

Fortalecer a gestão desses negócios significa, na prática, manter viva uma cadeia econômica que sustenta famílias inteiras e atrai turistas à região. Quem quiser informações sobre próximas ações do Sebrae pode acessar ms.sebrae.com.br ou ligar para a Central de Relacionamento no 0800 570 0800.

Fontes: SEBRAE/MS