Brasil se torna maior comprador de carros chineses do mundo
Importações somaram US$ 5,2 bilhões até maio e colocaram o país à frente de Rússia e Bélgica
O Brasil assumiu pela primeira vez a liderança mundial na importação de veículos produzidos na China. Entre janeiro e maio de 2026, o país movimentou US$ 5,2 bilhões na compra de automóveis chineses, superando mercados tradicionais como Rússia, com US$ 5 bilhões, e Bélgica, com US$ 3,8 bilhões, segundo dados da alfândega chinesa divulgados pelo Valor Econômico.
O avanço representa uma mudança significativa no comércio automotivo internacional. No mesmo período do ano anterior, o Brasil ocupava apenas a sexta posição entre os principais compradores de veículos chineses. Em um ano, as importações cresceram 146,9%, saltando de US$ 2,1 bilhões para os atuais US$ 5,2 bilhões.
Grande parte desse crescimento foi impulsionada pelos veículos eletrificados, segmento que engloba carros elétricos e híbridos. Dos US$ 5,2 bilhões importados pelo Brasil nos cinco primeiros meses do ano, aproximadamente US$ 4,5 bilhões correspondem a modelos dessa categoria. O desempenho também colocou o país na liderança global das importações de veículos eletrificados fabricados na China.
Especialistas apontam que uma das razões para o aumento das compras foi a antecipação das importações por parte das montadoras e distribuidoras. A estratégia buscou evitar os impactos da elevação gradual do Imposto de Importação para veículos eletrificados, cuja alíquota chegou a 35% neste ano. Com isso, muitas empresas reforçaram seus estoques antes da entrada em vigor das novas tarifas.
No entanto, a alta das importações não pode ser explicada apenas por fatores tributários. Analistas destacam que o consumidor brasileiro tem demonstrado interesse crescente por veículos elétricos e híbridos, impulsionado pela busca por economia de combustível, novas tecnologias e alternativas mais sustentáveis de mobilidade.
Outro fator importante é a estratégia das montadoras chinesas de expandir sua presença internacional. Marcas como BYD, GWM e outras fabricantes vêm investindo fortemente no mercado brasileiro, ampliando suas redes de concessionárias, aumentando a oferta de modelos e fortalecendo operações locais, incluindo projetos de produção nacional.
Dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) indicam que as importações de veículos chineses alcançaram US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre. Os híbridos plug-in lideraram o movimento, respondendo por US$ 2,79 bilhões, enquanto os eletrificados passaram a representar cerca de 15% de todas as importações brasileiras provenientes da China.
Mesmo com a expectativa de desaceleração após a recomposição das tarifas, especialistas acreditam que a demanda permanecerá elevada nos próximos meses. O fortalecimento das marcas chinesas e a crescente popularidade dos veículos eletrificados indicam que o Brasil deve continuar ocupando posição estratégica para a indústria automotiva chinesa no cenário global.