Brasil e Paraguai lançam maior operação binacional contra cultivo de maconha
Ação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e a SENAD paraguaia mobiliza helicópteros e forças especiais no departamento de Amambay
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A Polícia Federal do Brasil e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD) deram início, nesta semana, à Operação Nova Aliança 56, considerada a maior ofensiva binacional contra o cultivo de maconha já realizada no mundo. Com helicópteros, forças especiais e agentes antidrogas desdobrados sobre o departamento de Amambay — região que faz fronteira direta com o Brasil —, a missão prevê pelo menos duas semanas de incursões aéreas e terrestres sobre áreas identificadas como grandes centros de produção da droga.
A escolha de Amambay não é por acaso. A região, que tem Pedro Juan Caballero como principal cidade — separada de Ponta Porã (MS) apenas por uma avenida —, concentra historicamente parte significativa da cadeia produtiva de maconha que abastece o mercado ilícito brasileiro. Segundo dados citados pelas autoridades, mais de 80% da maconha cultivada em território paraguaio tem como destino final o Brasil, o que faz do combate conjunto uma obrigação estratégica para os dois países.
Força aérea e inteligência como pilares da ofensivaO aparato mobilizado para a operação revela a escala incomum da ação. Helicópteros da Polícia Federal brasileira e da Força Aérea Paraguaia atuam em suporte às equipes terrestres compostas por membros das Forças Especiais e Agentes Especiais Antidrogas da SENAD. O respaldo tático é fornecido pelo Comando de Operações de Defesa Interna (CODI), do Paraguai, e toda a operação é acompanhada pelo agente fiscal Celso Morales, do Ministério Público paraguaio — garantindo que os procedimentos tenham controle judicial desde o início.
As áreas-alvo foram definidas previamente com base em trabalho de inteligência que mapeou plantações, acampamentos de narcotraficantes e centros de processamento. O objetivo declarado vai além da destruição das lavouras: a missão é desmontar toda a infraestrutura logística das organizações criminosas, desde o plantio até os pontos de distribuição, causando um prejuízo financeiro significativo aos principais financiadores dessas redes.
Golpe nas finanças do crime organizadoA estratégia da Nova Aliança 56 é deliberadamente econômica. Ao eliminar plantações extensas e estruturas de processamento, as forças de segurança pretendem destruir o capital já investido pelos grupos criminosos — um modelo que, segundo as autoridades, tem se mostrado mais eficaz do que simplesmente apreender carregamentos após a droga já estar em circulação. A série de operações anteriores sob o mesmo nome acumulou um histórico expressivo de volume de drogas retiradas do mercado, consolidando a "Nova Aliança" como referência internacional em cooperação antidrogas.
Para Mato Grosso do Sul, que responde por centenas de quilômetros de fronteira seca com o Paraguai — incluindo os municípios de Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Aral Moreira e Paranhos —, o impacto de uma operação dessa magnitude é direto. A maior parte da maconha que entra no estado atravessa exatamente por essa linha de fronteira, alimentando o tráfico local e abastecendo rotas que seguem para outras regiões do Brasil.
MS no centro da rota: o que muda na fronteiraHistoricamente, períodos de grandes operações de erradicação no Paraguai geram efeito duplo na fronteira sul-mato-grossense: no curto prazo, forçam uma reorganização das rotas pelos grupos criminosos, o que pode aumentar a pressão sobre trechos alternativos; no médio prazo, a redução do estoque disponível eleva o preço nas ruas e desorganiza as cadeias locais de distribuição. A Polícia Federal, que participa ativamente da operação no lado paraguaio, deve intensificar também as ações de vigilância nas cidades-gêmeas durante as próximas semanas.
A 56ª edição da operação reforça o que especialistas em segurança de fronteira já defendem há anos: o combate ao narcotráfico na região só é eficaz quando Brasil e Paraguai atuam de forma coordenada, compartilhando inteligência e recursos. Para a população de Mato Grosso do Sul que convive com os efeitos cotidianos do tráfico transfronteiriço, a expectativa é que a ofensiva traga resultados concretos — ainda que temporários — na redução do fluxo de drogas que atravessa a fronteira seca todos os dias.
Fontes: SENAD PARAGUAI, AGÊNCIA IP