Corumbá registra 61,5% de positividade para vírus respiratórios e três bebês mortos em 2026
Boletim epidemiológico da Semana 27 aponta circulação simultânea de cinco vírus em Corumbá, com crianças de até 4 anos como principal grupo de risco
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Corumbá enfrenta um cenário preocupante de doenças respiratórias neste inverno: dados do CIEVS Fronteira referentes à Semana Epidemiológica 27 de 2026 mostram que 227 das 369 amostras coletadas pela Unidade Sentinela de Síndrome Gripal deram resultado positivo — uma taxa de positividade de 61,5%. O município já registrou quatro mortes associadas a síndromes respiratórias no ano, sendo três bebês com menos de um ano de vida.
A situação levou a Secretaria Municipal de Saúde a intensificar o apelo pela vacinação, especialmente entre os grupos mais vulneráveis: crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. O monitoramento contínuo da Vigilância Epidemiológica revela que pelo menos cinco vírus circulam ao mesmo tempo na cidade, o que aumenta a pressão sobre os serviços de saúde e exige atenção redobrada da população.
Cinco vírus circulando ao mesmo tempo — e bebês no centro da tragédiaO levantamento da Semana 27 identificou uma combinação incomum de agentes respiratórios ativos em Corumbá. O rinovírus lidera com 86 casos, seguido pela Influenza A (H3), com 70 registros. Completam o quadro a Influenza B (35 casos), o metapneumovírus (20) e o Vírus Sincicial Respiratório — VSR, todos circulando simultaneamente na cidade pantaneira.
O dado mais grave do relatório diz respeito às mortes. Dos quatro óbitos registrados em 2026 por síndromes respiratórias, três eram bebês — com 10 meses, 6 meses e 1 mês de vida. A quarta vítima foi uma mulher de 101 anos. A concentração de casos mais graves está justamente na faixa de 0 a 4 anos, grupo que a Vigilância Epidemiológica aponta como o de maior demanda por cuidados preventivos e acompanhamento clínico imediato diante dos primeiros sintomas.
Quais vacinas estão disponíveis e quem deve se imunizar agoraA principal recomendação da Secretaria Municipal de Saúde é que a população atualize o calendário vacinal sem demora. Duas imunizações são prioridade para todos: a vacina contra influenza e a vacina contra Covid-19. Para públicos específicos, estão disponíveis também a pneumocócica 20-valente — voltada a idosos e pessoas com comorbidades — e a proteção contra o VSR, indicada para gestantes, que confere imunidade ao recém-nascido nos primeiros meses de vida, exatamente o período em que o vírus apresenta maior risco de evolução grave.
As salas de vacinação funcionam entre os dias 27 e 31 de julho, nos horários das 7h30 às 10h30 e das 13h30 às 16h30. Atenção: a ESF Breno de Medeiros (Rua Ciríaco de Toledo, nº 2.830, Popular Nova) permanecerá fechada nos dias 27 e 28 de julho.
Quando ir à UBS e quando ir à emergência — sinais que não devem ser ignoradosPara sintomas leves — febre, tosse seca, dor de garganta e, em alguns casos, diarreia —, a orientação é procurar as unidades de Atenção Primária à Saúde. Já os sinais de alerta exigem ida imediata a uma unidade de urgência e emergência: dificuldade respiratória, respiração acelerada, saturação de oxigênio abaixo de 95%, vômitos persistentes ou prostração são indicativos de agravamento que não devem ser aguardados em casa.
Nas crianças, os alertas têm nomes próprios: recusa em se alimentar, sonolência excessiva, queda no nível de atividade e qualquer dificuldade para respirar. A Vigilância Epidemiológica também recomenda medidas básicas, mas fundamentais: higienizar as mãos com frequência, cobrir nariz e boca ao tossir, usar máscara quando sintomático, manter ambientes ventilados e — especialmente — afastar crianças com sintomas gripais das creches e escolas até que sejam avaliadas por um profissional de saúde. O boletim epidemiológico completo está disponível no site da Vigilância em Saúde de Corumbá.
Com Corumbá sendo porta de entrada do Pantanal e cidade de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, o controle de doenças respiratórias tem impacto que ultrapassa os limites municipais. A circulação intensa de pessoas entre os países vizinhos e o fluxo de turistas na região reforçam a importância de manter o esquema vacinal atualizado — um cuidado que vale tanto para moradores quanto para visitantes.
Fontes: PREFEITURA DE CORUMBÁ, SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CORUMBÁ