Keiko Fujimori assume presidência do Peru com missão de encerrar ciclo de instabilidade política

Nova presidente herda país dividido, enfrenta Congresso fragmentado e aposta em agenda de segurança e crescimento econômico

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Keiko Fujimori tomou posse como presidente do Peru nesta terça-feira (28), marcando o retorno do fujimorismo ao comando do país após mais de duas décadas. Eleita por uma margem mínima de votos, a nova mandatária inicia o mandato diante do desafio de restaurar a estabilidade institucional de uma nação que vive uma sucessão de crises políticas e trocas constantes de governo nos últimos anos. 

A vitória de Keiko foi uma das mais apertadas da história recente peruana. A candidata conservadora conquistou pouco mais de 50% dos votos válidos e superou o adversário de esquerda Roberto Sánchez por cerca de 49 mil votos, resultado que evidenciou a forte polarização política do país. 

Ao assumir o cargo, a presidente fez um apelo à reconciliação nacional e ao diálogo entre diferentes correntes políticas. O discurso ocorre em um contexto de divisões profundas e após uma década marcada por crises institucionais. Desde 2016, o Peru teve diversos presidentes, muitos deles destituídos, investigados ou forçados a deixar o cargo antes do término do mandato. 

Entre as prioridades anunciadas para o novo governo estão o combate à criminalidade, a recuperação da confiança dos investidores e a geração de empregos. A escolha de integrantes da equipe econômica sinaliza uma orientação favorável ao mercado, com foco na atração de investimentos e na retomada do crescimento econômico.

No entanto, especialistas apontam que a governabilidade será um dos maiores testes para a nova administração. Apesar de possuir uma das maiores bancadas do Congresso, o partido Força Popular não detém maioria suficiente para aprovar medidas sem negociações com outras legendas. O cenário exige articulação política constante para evitar novos conflitos entre Executivo e Legislativo.

Outro desafio é o aumento da insegurança pública. O avanço da criminalidade e das extorsões tornou-se uma das principais preocupações da população peruana, levando a presidente a prometer uma atuação mais firme na área de segurança. Analistas destacam que os resultados nessa frente serão determinantes para a avaliação dos primeiros meses de governo. 

A posse também representa o retorno de um sobrenome que continua dividindo opiniões no Peru. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko carrega tanto o apoio de parcela da população que associa o período à estabilidade econômica quanto a resistência de setores que criticam o legado político deixado pelo antigo mandatário. 

Com um país politicamente fragmentado, uma economia em busca de maior dinamismo e crescente pressão social por segurança, o novo governo inicia sua trajetória sob expectativa elevada. O sucesso da gestão dependerá, em grande medida, da capacidade de construir consensos e transformar a apertada vitória eleitoral em estabilidade política duradoura. 


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