Fed e Caged dominam agenda econômica na última semana de julho

Entre 27 e 31 de julho, investidores acompanham decisão de juros nos EUA e dados de emprego formal no Brasil, com projeção de 110 mil vagas criadas em junho.

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A última semana de julho promete ser intensa para quem acompanha o mercado financeiro. Entre os dias 27 e 31, dois eventos concentram as atenções: a decisão do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa de juros americana, prevista para quarta-feira (29), e a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referente a junho, esperada para quinta-feira (30). A combinação de dados externos e domésticos deve movimentar bolsas, câmbio e o mercado de renda fixa no Brasil.

O cenário exige atenção redobrada dos investidores. Nos Estados Unidos, a política monetária segue como variável central para os mercados globais, e qualquer sinalização do banco central americano sobre os próximos passos pode reverberار nos ativos brasileiros — incluindo o dólar frente ao real, algo que impacta diretamente o custo de vida e as exportações de Mato Grosso do Sul, estado fortemente dependente do agronegócio exportador.

Fed mantém juros? Mercado aguarda sinal para os próximos meses

Na quarta-feira (29), o Fed divulga sua decisão de política monetária às 15h, horário de Brasília, seguida de coletiva de imprensa. A expectativa predominante entre analistas é de manutenção da taxa na banda entre 3,50% e 3,75%, sem alteração em relação ao ciclo atual. Mas o comunicado oficial e as falas do presidente do banco central americano é que vão definir o tom: qualquer indicação sobre cortes ou altas futuras pode desencadear movimentos bruscos nos mercados globais.

Antes disso, na terça-feira (28), os EUA já abrem sua agenda com o índice de Confiança do Consumidor, divulgado às 11h. Na quinta, um pacote robusto de dados é apresentado simultaneamente às 9h30: gastos e rendimento pessoal, deflator do PCE — principal termômetro de inflação monitorado pelo Fed —, além do PIB e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego. A semana americana se encerra na sexta com o índice de confiança da Universidade de Michigan.

Brasil: Caged e PNAD concentram expectativas no mercado de trabalho

No front doméstico, a quinta-feira (30) é o dia de maior densidade de informações. Sem horário definido, o Tesouro Nacional publica o resultado primário do Governo Central, enquanto o Caged traz os dados de geração de emprego formal em junho. As projeções do mercado apontam para a criação de 110 mil postos de trabalho com carteira assinada no período — número que, se confirmado, reforça a resiliência do mercado de trabalho brasileiro mesmo em ambiente de juros ainda elevados.

Também na quinta, o IBGE divulga a PNAD Contínua às 9h, com a taxa de desemprego projetada em 5,4% — patamar que, se confirmado, representa um dos menores níveis registrados na série histórica recente. Às 8h, a FGV apresenta o IGP-M e sondagens do comércio e de serviços. O Banco Central completa o dia publicando, às 8h30, a nota sobre política monetária e operações de crédito.

Semana começa movimentada com inflação e expectativas dos consumidores

A agenda não espera pela metade da semana para esquentar. Na segunda-feira (27), já às 5h, é divulgado o IPC da FIPE, seguido pela Sondagem do Consumidor da FGV e pelo Relatório Focus do Banco Central — o termômetro semanal das expectativas do mercado para inflação, câmbio e PIB. À tarde, a balança comercial semanal da Secex fecha o primeiro dia útil.

Na terça-feira (28), a FGV publica o INCC-M e a Sondagem da Construção às 8h, enquanto o Banco Central divulga a Nota sobre o Setor Externo às 8h30. Às 9h, o IPCA-15 do IBGE — principal prévia da inflação oficial do país — chega às telas dos operadores. Na quarta, além da reunião do Fed, o Tesouro Nacional publica o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal, e o Banco Central apresenta o Fluxo Cambial semanal às 14h30. Na sexta-feira (31), a ANEEL define a bandeira tarifária de energia elétrica para agosto, decisão que afeta diretamente o bolso de consumidores e empresas em todo o país — inclusive em Mato Grosso do Sul.

Para o estado, que tem no agronegócio o motor da economia e depende fortemente da variação cambial para precificar exportações de soja, milho e carne bovina, a semana concentra variáveis críticas. Uma sinalização mais hawkish do Fed pode valorizar o dólar e beneficiar exportadores sul-mato-grossenses no curto prazo, mas também pressiona custos de insumos importados. Já os dados do mercado de trabalho no Brasil sinalizam se o consumo interno — que sustenta o varejo e os serviços locais — segue aquecido.

Fontes: FEDERAL RESERVE, BANCO CENTRAL DO BRASIL, IBGE, FGV, TESOURO NACIONAL, ANEEL, SECEX