O Instituto Saúde e Cidadania (Isac), com sede em Brasília, foi selecionado para assumir a administração do Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. O resultado da disputa entre as duas organizações sociais finalistas foi divulgado no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (24 de julho de 2026).
O Isac apresentou a proposta financeira mais vantajosa, no valor mensal de R$ 8.859.405,68 (cerca de R$ 106,3 milhões por ano), o que lhe garantiu a vitória no certame. A outra concorrente, o Instituto Social Mais Saúde (ISMS), contestou o valor por considerá-lo muito baixo, mas o recurso foi rejeitado pela comissão, que entendeu que a proposta seguia os padrões do edital e estava acima do mínimo exigido pela legislação.
Trajetória conturbada do hospitalO Hospital Regional de Ponta Porã vinha sendo administrado pelo Instituto Acqua desde 2019. O contrato não foi renovado em 2024 devido a irregularidades apontadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), incluindo falhas de transparência e contratações emergenciais sem justificativa de urgência. Após um período de gestão provisória pelo ISMS, o governo estadual abriu chamamento público para escolher a nova organização social.
Durante o processo, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) interveio em duas ocasiões a pedido do próprio Isac, o que resultou em ajustes na análise das propostas técnicas e reduziu a diferença entre os concorrentes. Com a fase financeira concluída, abre-se agora prazo para novos recursos antes da homologação definitiva.
O Instituto Saúde e Cidadania atua em seis estados brasileiros e possui experiência na administração de UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), hospitais e maternidades. A expectativa é que a nova gestão traga mais eficiência e regularidade ao atendimento na região de fronteira, que atende tanto a população sul-mato-grossense quanto demandas do Paraguai.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) tem ampliado o modelo de parcerias com organizações sociais para a gestão de hospitais regionais, como os de Dourados e Três Lagoas, além de estudos para Parceria Público-Privada (PPP) em Campo Grande.
A população de Ponta Porã e região agora aguarda a transição efetiva da gestão, com o desafio de manter a qualidade dos serviços e cumprir as metas contratuais de assistência universal pelo SUS.