Aena anuncia R$ 15 bi em aeroportos brasileiros e mira voos internacionais em Congonhas

Operadora espanhola, que controla 18 terminais no Brasil incluindo Galeão e Congonhas, projeta atender 63 milhões de passageiros por ano até 2028.

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A Aena Brasil, concessionária espanhola que administra 18 aeroportos no país — entre eles Congonhas, em São Paulo, e o Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro —, planeja injetar mais de R$ 15 bilhões em infraestrutura aeroportuária brasileira até o fim de 2028. O anúncio foi feito pelo CEO da empresa, Santiago Yus, que afirmou ser o Brasil o mercado mais estratégico do grupo fora da Espanha.

O volume de recursos previsto reflete uma aposta de longo prazo sobre o potencial da aviação civil no país. Para os viajantes do Centro-Oeste, incluindo os sul-mato-grossenses que utilizam os principais hubs nacionais para conexões, as melhorias planejadas impactam diretamente a qualidade dos terminais mais usados como escala e destino.

Galeão eleva o Brasil a maior mercado internacional da Aena

Com a conquista da concessão do Galeão — arrematada recentemente pela companhia —, a Aena deverá saltar de 45 milhões de passageiros anuais para cerca de 63 milhões, consolidando o Brasil como operação-âncora do grupo no mundo. "O Brasil é o país mais relevante para o grupo fora da Espanha e é o único em que operamos com a marca Aena", afirmou Yus em entrevista divulgada nesta semana.

Do total de investimentos, R$ 2 bilhões já estão comprometidos com o bloco Nordeste e outros R$ 4,5 bilhões correspondem ao pacote de 11 aeroportos adquirido em 2023. Os valores incluem tanto obras diretas de modernização quanto os compromissos assumidos nos contratos de concessão junto ao governo federal. Globalmente, o grupo projeta movimentar mais de 450 milhões de passageiros por ano considerando todas as suas operações em cinco países.

Congonhas na mira dos voos internacionais

Um dos pontos mais ousados da estratégia da Aena envolve ampliar a vocação do Aeroporto de Congonhas, hoje restrito à aviação doméstica, para receber rotas internacionais. Segundo Yus, 17 companhias aéreas já procuraram a concessionária para sondar essa possibilidade. "Em mais de 25 anos no setor aeroportuário, é a primeira vez que vejo companhias aéreas indo atrás do aeroporto, e não o contrário", disse o executivo, destacando o nível inédito de interesse do mercado.

A empresa defende que a abertura de rotas internacionais em Congonhas não esvaziaria sua função doméstica, mas adicionaria novas conexões e tornaria o terminal ainda mais central na malha aérea brasileira. O projeto, no entanto, está condicionado ao cumprimento das obrigações contratuais da concessão, que exige a entrega da ampliação e reforma do aeroporto até 2028 — um desafio logístico considerável, dado que o terminal opera em plena capacidade durante as obras.

O que isso significa para quem viaja a partir de Mato Grosso do Sul

Para os viajantes de Mato Grosso do Sul, que dependem fortemente de conexões em São Paulo e Rio de Janeiro para acessar destinos nacionais e internacionais, o ciclo de investimentos da Aena pode significar terminais mais modernos, filas menores e mais opções de embarque nos principais hubs do país. Campo Grande e outras cidades do estado não têm voos internacionais diretos, o que torna Congonhas e o Galeão pontos de passagem obrigatórios para a maioria das viagens ao exterior.

A possível internacionalização de Congonhas, especialmente, abriria alternativas para quem hoje precisa passar pelo Aeroporto de Guarulhos (GRU) para embarcar em voos transoceânicos — reduzindo o tempo de deslocamento dentro da própria cidade de São Paulo para os passageiros do interior do Brasil. O prazo de 2028 será o grande teste da capacidade de execução da Aena em um dos maiores programas de concessão aeroportuária já realizados no país.

Fontes: AENA BRASIL