Dólar abaixo de R$ 5,10 e queda de 7,4% no ano: o que isso muda para o MS

Moeda americana encerrou a sexta-feira em R$ 5,08 e acumula forte recuo em 2025, mas novas tarifas dos EUA sobre o Brasil criam incerteza para exportadores e importadores sul-mato-grossenses.

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O dólar encerrou a última sexta-feira praticamente estável, cotado a R$ 5,0814, mas o número que chamou atenção do mercado foi outro: no acumulado de 2025, a moeda norte-americana já recuou 7,43% frente ao real — uma das maiores desvalorizações entre as divisas globais no período. A semana também terminou no azul para o real, com o dólar cedendo 0,58% nos cinco pregões. O cenário, aparentemente favorável para quem importa ou viaja, vive sob a sombra de dois fatores de risco: as novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e a escalada do conflito no Oriente Médio.

Para Mato Grosso do Sul, estado com economia fortemente ancorada nas exportações do agronegócio — soja, milho, carne bovina e celulose — e com intensa movimentação comercial na fronteira com o Paraguai e a Bolívia, o comportamento do dólar nunca é uma abstração. Cada centavo a mais ou a menos na cotação da moeda americana repercute diretamente na receita dos produtores rurais, no custo dos insumos importados e na circulação de consumidores nas cidades de fronteira como Ponta Porã e Corumbá.

Tarifas americanas elevam pressão sobre exportadores brasileiros

A principal novidade que movimentou o mercado nesta sexta-feira foi a entrada em vigor de tarifas adicionais dos EUA sobre importações de 60 países parceiros comerciais, incluindo o Brasil. A justificativa americana é a alegação de fiscalização frouxa do trabalho forçado — acusação que o governo brasileiro contesta. Para produtos brasileiros, a alíquota ficou em 12,5%, somando-se a outra tarifa de 25% que já havia sido aplicada em 22 de julho sobre um conjunto de mercadorias nacionais por suposta concorrência desleal.

Na prática, o cenário impõe um desafio duplo ao exportador sul-mato-grossense: de um lado, o dólar mais fraco reduz a receita em reais quando os contratos são liquidados; do outro, as barreiras tarifárias americanas encarecem o produto brasileiro no mercado dos EUA, pressionando margens e volumes negociados. Para o setor de carnes, que tem nos americanos um comprador relevante, a combinação exige atenção redobrada nas próximas semanas.

Oriente Médio mantém petróleo elevado e pressiona custos

Paralelamente às disputas comerciais, o conflito no Oriente Médio seguiu ditando o ritmo dos mercados globais. O petróleo tipo Brent, que chegou a superar US$ 100 o barril na véspera com o acirramento das tensões, recuou nesta sexta para a faixa dos US$ 96 após sinais de que o Paquistão busca mediar a retomada de negociações entre EUA e Irã — movimento que o mercado interpretou como possível alívio na crise. O Irã, segundo informações da Reuters, reforçou a capacidade dos houthis no Mar Vermelho, enquanto os americanos responderam com ataques de mísseis ao território iraniano.

Para o Brasil e para MS, o petróleo elevado significa pressão sobre os custos do frete, dos combustíveis agrícolas e dos insumos industriais. O estado, que depende intensamente do transporte rodoviário tanto para escoar a produção quanto para abastecer o comércio fronteiriço, sente esse impacto de forma bastante direta. A queda desta sexta foi um respiro, mas analistas apontam que a volatilidade deve persistir enquanto o conflito não apresentar sinais claros de desescalada.

O que esperar para o câmbio nas próximas semanas

No mercado doméstico, o Banco Central realizou nesta sexta-feira a rolagem de contratos de swap cambial para o vencimento de 3 de agosto, vendendo 50 mil contratos — operação de rotina que não alterou as cotações, mas sinaliza a atenção da autoridade monetária com a liquidez do mercado de câmbio. O dólar futuro para agosto encerrou o dia a R$ 5,0905, muito próximo do valor à vista.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, fechou com leve alta de 0,02%, a 101,470 — indicando que a fraqueza do dólar no Brasil é, em parte, um fenômeno específico do real, não apenas um movimento global da divisa americana. Para o consumidor e para o produtor de Mato Grosso do Sul, o cenário mais provável para as próximas semanas é de câmbio volátil, oscilando entre os impulsos de baixa gerados pela melhora dos fundamentos domésticos e os choques externos vindos das tarifas e do Oriente Médio. Acompanhar de perto esse equilíbrio instável será essencial para quem toma decisões de compra, venda ou planejamento financeiro na região.

Fontes: REUTERS, BANCO CENTRAL DO BRASIL, B3