Dólar paralelo no Paraguai se aproxima de Gs 12 e pressiona compras de brasileiros

Cotação informal da moeda americana voltou a subir em Assunção, encarecendo produtos e afetando o poder de compra de quem cruza a fronteira por Ciudad del Este e Pedro Juan Caballero.

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O dólar paralelo no Paraguai voltou a subir e se aproxima da marca de Gs 12 (guaranis) por dólar — o equivalente a cerca de R$ 0,0069 por guarani, tornando o câmbio informal cada vez mais desfavorável para quem troca moeda fora dos canais oficiais. A variação, registrada nos últimos dias em Assunção, acende um sinal de alerta para turistas e compradores brasileiros que frequentam cidades de fronteira como Ciudad del Este e Pedro Juan Caballero.

A escalada do dólar no mercado paralelo paraguaio não é um fenômeno isolado: reflete pressões cambiais globais combinadas com a demanda aquecida por dólares físicos dentro do país vizinho. Para os brasileiros de Mato Grosso do Sul — especialmente moradores de Ponta Porã e de outras cidades de fronteira seca — entender esse movimento é fundamental para planejar compras, viagens e negócios no lado paraguaio.

Por que o dólar paralelo subiu agora

O câmbio informal no Paraguai historicamente oscila em função da demanda por dólares físicos, do comportamento do real e de fluxos de capital que escapam dos circuitos bancários formais. Quando o dólar oficial encarece, parte dos agentes econômicos — comerciantes, importadores e até turistas — recorre ao mercado paralelo, pressionando ainda mais a cotação extraoficial para cima. Nos últimos dias, esse ciclo se repetiu, fazendo a cotação se aproximar do patamar de Gs 11.900 a Gs 12.000 por dólar nas casas de câmbio informais de Assunção.

O diferencial entre a taxa oficial e a paralela, ainda que não seja dramático, representa um custo real para quem compra mercadorias no Paraguai e precisa converter guaranis em reais ou em dólares ao voltar ao Brasil. Comerciantes de Ponta Porã que importam produtos do lado paraguaio de Pedro Juan Caballero já observam um encarecimento nos preços de reposição de estoque, mesmo quando a transação é feita em guaranis.

Como isso afeta as compras na fronteira de MS

Para o consumidor brasileiro que cruza a fronteira em busca de eletrônicos, perfumes, bebidas e alimentos, a alta do dólar paralelo tem um efeito indireto, mas perceptível: os comerciantes paraguaios frequentemente precificam seus produtos com base na cotação do dólar — seja oficial ou de mercado. Quando o dólar sobe, os preços em guaranis acompanham, e a vantagem histórica das compras no Paraguai se reduz.

Em Ciudad del Este, principal polo de compras do Paraguai e destino de milhares de brasileiros do MS e de todo o país, a tendência de alta cambial já vinha sendo sentida no varejo de importados. A aproximação da cotação paralela dos Gs 12 por dólar reforça a recomendação de que o comprador calcule bem a conversão antes de fechar negócio — especialmente ao trocar reais diretamente por guaranis em casas de câmbio da fronteira.

O que esperar nos próximos dias e como se proteger

Economistas do Paraguai acompanham de perto se o Banco Central do país (BCP) vai intervir no mercado para conter a valorização do dólar, prática que já foi adotada em momentos de maior volatilidade cambial. Sem intervenção, a tendência de curto prazo é de manutenção da pressão sobre o guarani — o que pode elevar ainda mais o custo das importações paraguaias e dos produtos vendidos na fronteira.

Para o leitor de Mato Grosso do Sul que planeja cruzar a fronteira nos próximos dias, a dica é acompanhar as cotações tanto do dólar comercial brasileiro quanto do câmbio praticado nas casas de câmbio de Ponta Porã e Ciudad del Este antes de fazer a troca. Pequenas diferenças na taxa podem significar economia real, especialmente em compras de maior valor. Cambistas informais, além de praticarem taxas menos favoráveis, representam risco legal e financeiro para o comprador.

A situação cambial no Paraguai é um termômetro importante para toda a economia de fronteira de MS. Com o comércio bilateral movimentando bilhões de reais por ano — em produtos que vão de eletrônicos a insumos agropecuários —, qualquer movimento brusco no dólar paralelo repercute rapidamente no bolso de quem vive e trabalha nos dois lados da fronteira.

Fontes: EL DIARIO (PARAGUAI)