Empresas dos EUA vão à Justiça contra tarifas de Trump sobre 60 países

Duas pequenas empresas americanas contestam judicialmente as novas tarifas de importação de Trump, alegando que o presidente extrapola seus poderes constitucionais.

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Duas pequenas empresas norte-americanas ingressaram com uma ação judicial nesta sexta-feira, 24 de julho, no Tribunal de Comércio dos Estados Unidos, em Nova York, contestando a mais recente rodada de tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos importados de 60 países. O argumento central é de que a medida extrapola os limites legais da autoridade presidencial para tributar importações e carece de justificativas específicas por país sobre a prática de trabalho forçado, condição exigida para dar embasamento jurídico à política tarifária.

A disputa chega ao Judiciário num momento em que a guerra comercial de Trump enfrenta resistência crescente dentro dos próprios Estados Unidos. As empresas são apoiadas por um grupo jurídico sem fins lucrativos que já acumula vitórias em ações semelhantes contra rodadas anteriores de tarifas — o que confere peso real à nova ofensiva legal e eleva as apostas políticas e econômicas em torno da estratégia protecionista da Casa Branca.

O argumento jurídico: limites da caneta presidencial

O núcleo da ação reside em uma tese que vem ganhando tração nos tribunais americanos: a de que tarifas generalizadas, aplicadas a dezenas de países de uma só vez, não podem ser sustentadas por decretos presidenciais sem respaldo legislativo claro. No caso específico, os autores argumentam que a legislação invocada por Trump exige determinações detalhadas e individualizadas sobre trabalho forçado em cada nação afetada — algo que, segundo a petição, simplesmente não foi feito.

Há ainda um componente político-jurídico sensível: a ação acusa Trump de tentar ressuscitar tarifas que já foram declaradas ilegais pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Embalar medidas semelhantes com nova roupagem legislativa, segundo os advogados das empresas, não seria suficiente para afastar o precedente estabelecido pela Corte — e os tribunais inferiores estarão atentos a isso.

Por que isso importa para o Brasil e para Mato Grosso do Sul

A política tarifária de Trump tem efeitos diretos sobre o comércio global e, por consequência, sobre os mercados que movem a economia de Mato Grosso do Sul. O estado é um dos maiores exportadores de soja, milho, carne bovina e celulose do Brasil — commodities que oscilam com intensidade quando o cenário de livre comércio internacional é ameaçado. Tarifas elevadas impostas pelos EUA a outros países tendem a redirecionar fluxos de mercadorias e a pressionar preços em mercados onde o agronegócio sul-mato-grossense compete.

Além disso, a incerteza jurídica em torno das tarifas americanas afeta diretamente a confiança de investidores e a previsibilidade de contratos de exportação. Para produtores rurais e exportadoras sediadas em MS, saber se as tarifas de Trump serão mantidas, suspensas ou derrubadas judicialmente é uma variável que influencia desde o planejamento da safra até a negociação de contratos futuros nas bolsas de Chicago e São Paulo.

O histórico de derrotas de Trump nos tribunais comerciais

Esta não é a primeira vez que pequenas empresas americanas desafiam judicialmente as tarifas da atual administração — e o histórico recente não favorece a Casa Branca. O mesmo grupo jurídico sem fins lucrativos que apoia a nova ação já obteve decisões favoráveis em casos anteriores, com tribunais reconhecendo que o uso de determinados dispositivos legais para justificar tarifas unilaterais tem limites constitucionais claros.

A tendência dos tribunais de questionar a amplitude dos poderes presidenciais em matéria de comércio exterior representa um freio institucional relevante — e um sinal de que a estratégia tarifária de Trump, embora politicamente assertiva, encontra obstáculos crescentes no próprio sistema jurídico americano. O desfecho desta ação pode definir o alcance real das políticas comerciais da segunda gestão Trump e abrir precedente para novos litígios envolvendo outros países incluídos na lista de 60 nações taxadas.

O julgamento deve acompanhar de perto o que foi estabelecido pela Suprema Corte em casos anteriores — e qualquer decisão relevante terá repercussão imediata nos mercados internacionais que afetam diretamente o dia a dia da economia produtiva sul-mato-grossense.

Fontes: REUTERS