Dourados sedia feira gratuita de cultura e empreendedorismo de mulheres negras neste sábado

Realizada no Parque dos Ipês das 17h à meia-noite, a I Feira AfroLatinas celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha com gastronomia, artesanato e exposições.

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O Parque dos Ipês, em Dourados, recebe neste sábado, 25 de julho, a primeira edição da Feira AfroLatinas, iniciativa gratuita e aberta ao público que celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha com uma programação que vai das 17h à meia-noite, reunindo gastronomia, artesanato, manifestações culturais e empreendedorismo feminino em um único espaço.

O evento nasce em um momento em que a pauta da equidade racial e de gênero ocupa espaço crescente nas políticas públicas e na agenda cultural do interior sul-mato-grossense. Dourados, cidade com uma das mais diversas composições étnicas do estado — com populações negras, indígenas e de descendentes de imigrantes latino-americanos —, torna-se palco natural para um encontro que pretende ir além da celebração e funcionar como vitrine econômica para mulheres que vivem da economia criativa.

Protagonismo feminino como eixo central da programação

A organização é do Quintal de Palmares, centro cultural voltado à valorização, educação e difusão da cultura afro-brasileira e africana. A proposta não é apenas celebrativa: a feira estrutura um circuito de expositoras que apresentam produtos, serviços e expressões artísticas enraizadas nas tradições afro-indígenas e latino-americanas, dando visibilidade econômica a empreendedoras que muitas vezes operam à margem dos circuitos comerciais convencionais.

A iniciativa conta com apoio institucional da Prefeitura de Dourados, por meio das secretarias municipais de Cultura (Semc) e de Agricultura Familiar (Semaf), além da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), representada pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi/NAC). A entrada é franca e não há necessidade de inscrição prévia.

Uma data com raízes históricas e significado global

O 25 de julho não foi escolhido ao acaso. Há exatamente 44 anos, em 1982, mais de 300 representantes de 32 países se reuniram em Santo Domingo, na República Dominicana, para o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas. O encontro denunciou formas estruturais de opressão — racismo, machismo e discriminação de classe — e deu origem à data reconhecida posteriormente pela ONU como marco internacional de resistência e luta por direitos.

No Brasil, o mesmo dia também homenageia Tereza de Benguela, rainha de um quilombo habitado por negros e indígenas na região que hoje marca a fronteira entre Mato Grosso e Bolívia — território historicamente próximo ao que é hoje o estado de Mato Grosso do Sul. Liderança política, econômica e administrativa do século XVIII, Tereza é reconhecida oficialmente como heroína nacional e símbolo da resistência abolicionista.

Desigualdade que os números ainda confirmam

O peso da data não é apenas simbólico. Dados do IBGE indicam que pessoas autodeclaradas pretas e pardas representam cerca de 56% da população brasileira, sendo as mulheres negras aproximadamente 23,4% do total. Ainda assim, esse grupo segue entre os mais afetados por vulnerabilidade econômica, violência e exclusão social — realidade que eventos como a Feira AfroLatinas buscam tensionar ao colocar em destaque o potencial criativo e empreendedor dessas mulheres.

Para o leitor de Dourados e da região sul do estado, a feira representa uma oportunidade concreta de contato com produtos e saberes que raramente chegam aos espaços comerciais tradicionais. O formato noturno — até meia-noite — amplia o alcance para quem trabalha durante o dia e quer participar de um evento cultural diferente neste fim de semana.

Fontes: PREFEITURA DE DOURADOS, IBGE