CIN em aldeias e assentamento: MS leva emissão de identidade a quem mais precisa
Sejusp e SED instalam postos itinerantes em quatro escolas de comunidades indígenas e no Assentamento Itamarati para facilitar acesso à Carteira de Identidade Nacional.
Divulgação
O governo de Mato Grosso do Sul vai levar a emissão da nova Carteira de Identidade Nacional diretamente às aldeias indígenas e ao Assentamento Itamarati, instalando postos temporários dentro de escolas estaduais em Dourados, Caarapó, Aquidauana e Ponta Porã. A ação, conduzida pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SED), responde a uma demanda histórica: moradores dessas regiões enfrentam longas distâncias e altos custos para chegar aos postos convencionais de identificação.
A iniciativa faz parte de um esforço maior de descentralização dos serviços públicos em Mato Grosso do Sul, estado que abriga uma das maiores populações indígenas do país. Para essas comunidades, a falta do documento oficial não é só uma questão burocrática — compromete o acesso a benefícios sociais, saúde, educação e ao mercado de trabalho. Atender esses grupos dentro dos próprios territórios muda o alcance prático da política pública.
Quatro locais, datas definidas e atendimento dentro da escolaO cronograma já está fechado. No dia 29 de julho (quarta-feira), às 14h, o primeiro posto entra em funcionamento na Escola Estadual Nova Itamarati, no Distrito de Nova Itamarati, pertencente ao Assentamento Itamarati, em Ponta Porã. Na sequência, no dia 31 de julho (quinta-feira), o atendimento acontece em dois locais: a partir das 10h na Aldeia Jaguapiru, em Dourados, e às 15h na Aldeia Te'yikue, em Caarapó. O quarto posto, na Escola Estadual Indígena Pastor Reginaldo Miguel – Hoyenó'O, em Aquidauana, também integra o plano de implantação confirmado pelas secretarias.
Ao usar as escolas estaduais como base de operação, o governo aproveita uma estrutura que as comunidades já conhecem e frequentam. Isso reduz a resistência ao serviço e elimina a necessidade de os moradores se organizarem para viagens de horas até centros urbanos — deslocamentos que, em muitos casos, inviabilizam a retirada do documento.
Por que a CIN importa para essas populaçõesA Carteira de Identidade Nacional é o novo modelo de documento de identidade brasileiro, que unifica informações e tem validade nacional e internacional. Para populações indígenas e assentados, regularizar essa documentação é pré-requisito para acessar desde o Cadastro Único até contratos de trabalho e serviços bancários. Sem ela, o cidadão fica à margem de uma série de políticas públicas que dependem de identificação formal.
No caso específico do Assentamento Itamarati, um dos maiores do Brasil em extensão, a distância até o centro de Ponta Porã já é por si só um obstáculo considerável. Nas aldeias Jaguapiru e Te'yikue, em Dourados e Caarapó, a concentração de famílias em áreas de difícil acesso torna a logística de deslocamento ainda mais complexa. A presença do posto dentro da escola transforma um serviço antes inacessível em algo rotineiro.
MS amplia cobertura documental em territórios vulneráveisA medida se encaixa em uma tendência observada em estados com grande diversidade territorial: levar o Estado até o cidadão, e não o contrário. Mato Grosso do Sul tem 8 municípios com reservas indígenas expressivas e uma população rural dispersa, o que torna o modelo itinerante especialmente eficaz para ampliar cobertura sem exigir novas estruturas físicas permanentes.
Para as famílias atendidas, o benefício é imediato: menos tempo perdido, menos gasto com transporte e, principalmente, a garantia de um documento que abre portas. A expectativa das secretarias é de que os postos nas escolas indígenas e no assentamento sirvam de modelo para expansão do serviço a outras comunidades vulneráveis do estado nos próximos meses.
Fontes: GOVERNO DE MATO GROSSO DO SUL, SEJUSP, SED