Estudo associa ultraprocessados a até um terço das mortes por doenças cardiovasculares
Pesquisa internacional reforça alerta sobre os impactos do consumo frequente de alimentos industrializados na saúde do coração
O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados pode estar relacionado a uma parcela significativa dos casos de doenças cardiovasculares e das mortes provocadas por esses problemas de saúde. A conclusão é de um estudo apresentado no Congresso Internacional de Obesidade (ICO 2026) e publicado na revista científica The American Journal of Preventive Medicine.
A pesquisa analisou dados de adultos canadenses com mais de 20 anos e apontou que entre 23% e 38% dos eventos cardiovasculares registrados no país podem ser atribuídos ao consumo de alimentos ultraprocessados.
Isso inclui doenças como infarto, doença coronariana e acidente vascular cerebral (AVC).
Os pesquisadores identificaram que esses produtos representavam cerca de 43% da ingestão diária de energia da população adulta analisada. A partir desse cenário, foram estimados impactos expressivos sobre a saúde pública, incluindo milhares de novos casos de doenças cardiovasculares e um elevado número de mortes associadas ao consumo desses alimentos.
Segundo o levantamento, os ultraprocessados podem estar relacionados a mais de 10 mil mortes cardiovasculares anuais no Canadá, além de dezenas de milhares de novos casos de doenças cardíacas e cerebrovasculares. Os autores destacam que, embora os números se refiram à população canadense, resultados semelhantes podem ocorrer em outros países com elevado consumo desse tipo de produto.
Entre os alimentos classificados como ultraprocessados estão refrigerantes, salgadinhos industrializados, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos, refeições prontas congeladas e diversos produtos formulados com aditivos, conservantes, aromatizantes e grandes quantidades de açúcar, sal e gordura.
Os pesquisadores também avaliaram um cenário de redução do consumo desses produtos. A estimativa indica que uma queda de 50% na ingestão de ultraprocessados poderia evitar milhares de novos casos de doenças cardiovasculares e reduzir significativamente o número de mortes relacionadas ao coração.
Especialistas apontam que a substituição gradual dos ultraprocessados por alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão, ovos e carnes frescas, pode contribuir para a prevenção de doenças crônicas e para a melhoria da qualidade de vida.
Os resultados reforçam a preocupação crescente da comunidade científica com o avanço do consumo de produtos ultraprocessados e seu impacto sobre a saúde da população. Além de medidas individuais, os autores defendem ações de saúde pública voltadas à educação alimentar e à redução da presença desses alimentos na dieta cotidiana.
Fonte: Congresso Internacional de Obesidade (ICO 2026) e The American Journal of Preventive Medicine.