Messi x Yamal: Argentina e Espanha decidem a Copa do Mundo neste domingo
As duas seleções se enfrentam no MetLife Stadium em Nova York em final inédita entre países de língua espanhola desde 1930
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O maior palco do futebol mundial recebe neste domingo uma final que reúne história, rivalidade geracional e peso político: Argentina e Espanha jogam pelo título da Copa do Mundo de 2026 no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos arredores de Nova York, às portas de um duelo que a FIFA já promove com as imagens de Lionel Messi e Lamine Yamal lado a lado — ícones de duas épocas que se encontram em campo pela taça mais cobiçada do esporte.
A final tem um sabor especial que vai além do futebol. Pela apenas segunda vez em quase um século de Copas do Mundo, dois países de língua espanhola decidem o campeonato — o último precedente foi na edição inaugural de 1930, quando o Uruguai bateu a Argentina por 4 a 2 em Montevidéu. Naquele momento, o mundo era outro. Agora, nos Estados Unidos em pleno debate migratório, a ironia do calendário faz com que a nação do inglês coroe um campeão hispano-falante.
Caminhos opostos até a decisãoA trajetória argentina até a final foi uma sequência de sofrimento e superação digna de roteiro cinematográfico. A seleção de Lionel Scaloni precisou de prorrogação para eliminar Cabo Verde nas oitavas, virou um 0 a 2 contra o Egito a partir do minuto 79, voltou ao tempo extra diante da Suíça nas quartas de final e, na semifinal contra a Inglaterra em Atlanta na última quarta-feira, arrancou mais uma virada épica. Anthony Gordon abriu para os ingleses no segundo tempo, mas Messi, aos 39 anos, deu as assistências para Enzo Fernández (aos 85') e Lautaro Martínez (aos 90'+2'), selando o 2 a 1 que colocou a Albiceleste na decisão.
A Espanha chegou ao mesmo destino por outro caminho — com controle e eficiência tática. Na semifinal desta terça-feira, a Roja desmontou a França, que entrava como favorita ao título, com um placar de 2 a 0 que não deixou margem para contestação. O técnico Luis de la Fuente celebrou a vaga com uma confissão afetiva: "Me faria muita ilusão jogar contra a Argentina pela amizade que tenho com Scaloni". Do outro lado, o próprio Scaloni respondeu na mesma moeda: "Estou muito feliz por ele, merece. Vamos tentar ganhar, vamos dar tudo, mas depois disso tudo fica muito difícil".
Messi diante da Espanha que o formou — e Yamal como seu herdeiroPoucos enredos no esporte têm a carga simbólica desta final. Lionel Messi pode estar disputando sua última partida em uma Copa do Mundo — e o adversário é justamente a Espanha, país onde o craque cresceu, se formou nas categorias de base do Barcelona e construiu a maior parte de sua carreira. Se a Argentina vencer, Messi iguala o brasileiro Cafú como o único jogador da história a disputar três finais de Copa do Mundo — um feito que atravessa gerações.
Em campo para confrontá-lo estará Lamine Yamal, o jovem prodígio espanhol e atual detentor da camisa 10 do Barcelona — exatamente o número que Messi imortalizou no clube catalão. A cena já foi apelidada nos bastidores do torneio como uma passagem de coroa geracional: o jogador que dominou o futebol por duas décadas frente a frente com aquele que muitos apontam como seu sucessor.
Tensão geopolítica e o contexto que envolve a decisãoA semifinal contra a Inglaterra trouxe um elemento extraesportivo que ainda reverbera. Após o apito final, jogadores argentinos exibiram uma faixa com os dizeres "Las Malvinas son argentinas" — uma referência direta à disputa territorial entre Argentina e Reino Unido que resultou na guerra de 1982. O governo britânico reagiu com dureza: o ministro de Comércio e Negócios do Reino Unido, Peter Kyle, declarou à BBC que "a política deve ser separada do futebol" e pediu que a FIFA investigue o caso formalmente.
A final também terá presença política de peso nas arquibancadas do MetLife Stadium: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assistir à partida e será o responsável por entregar a taça ao campeão — um desfecho que, por si só, já seria improvável de imaginar antes do início do torneio. Para a Argentina, a vitória significaria a quarta estrela do país (após 1978, 1986 e 2022) e o feito inédito de ser o primeiro bicampeão consecutivo desde o Brasil de Pelé, que venceu em 1958 e 1962. Para a Espanha, seria o segundo título mundial, repetindo a conquista de 2010 na África do Sul. O apito inicial está marcado para este domingo, com o mundo do futebol de olho em Nova York.
Fontes: ABC COLOR, FIFA