Nonato decide de novo e Brasil vence Argentina no futebol de cegos

Seleção paralímpica fatura ouro na final dos Jogos Parasul-Americanos e lidera quadro com 248 medalhas em Valledupar, na Colômbia

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O Brasil encerrou os Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, com a mesma intensidade com que os começou: no topo do pódio. Na noite de quarta-feira, 15 de julho, a seleção paralímpica de futebol de cegos derrotou a Argentina na final e garantiu o ouro que coroou uma campanha histórica — 110 ouros, 86 pratas e 52 bronzes, totalizando 248 pódios e a liderança absoluta no quadro de medalhas.

O protagonismo do duelo contra os hermanos ficou com quem já havia decidido antes. Nonato, o mesmo atleta que marcou o gol do título paralímpico nos Jogos de Tóquio, em 2021, foi novamente decisivo — desta vez balançando as redes no início do segundo tempo para selar a vitória brasileira. A partida teve o peso de uma revanche: a Argentina havia vencido o Brasil na final da Copa América de 2022, em Córdoba, e nas semifinais da Paralimpíada de Paris, em 2024. O placar do confronto em Agustín Codazzi, cidade a cerca de 62 quilômetros de Valledupar, equilibrou a conta.

Um herói chamado Nonato

A trajetória de Nonato no futebol de cegos paralímpico tem contornos de roteiro cinematográfico. Herói de Tóquio 2021 contra os mesmos argentinos, o atleta carregou sobre si a responsabilidade de reverter um ciclo negativo nas decisões entre as duas maiores potências sul-americanas da modalidade. Ele cumpriu. O gol no início da etapa final deu tranquilidade ao Brasil e selou mais um capítulo dessa rivalidade que só cresce.

A partida disputada em Agustín Codazzi marcou também o início de um novo ciclo: este foi o primeiro torneio de preparação para a Paralimpíada de Los Angeles 2028. A seleção brasileira, atual campeã paralímpica da modalidade, começa a caminhada em direção aos Estados Unidos com moral renovada. E o calendário já prevê o próximo desafio — em setembro deste ano, o Brasil recebe a Copa América de futebol de cegos no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

Chuva de ouro no último dia

Além do futebol de cegos, o encerramento dos jogos reservou mais conquistas para a delegação verde e amarela. Só no último dia de competição, o Brasil subiu ao pódio 30 vezes, sendo 13 ouros. Na natação, Arthur Xavier, de Minas Gerais, foi o destaque ao conquistar dois títulos — nos 200 metros medley e no revezamento 4x100 metros medley, ambos na classe S14, destinada a atletas com deficiência intelectual.

No atletismo, Jardênia Félix, do Rio Grande do Norte, venceu o salto em distância da classe T20 — modalidade em que havia sido bronze no Campeonato Mundial de Paris, em 2023. O carioca Wallace dos Santos garantiu o ouro no arremesso de peso. No badminton, o paulista David Lima foi duplamente campeão: na chave individual masculina da classe SU5 e na dupla mista, ao lado da paranaense Kauana Beckenkamp. Já no tiro com arco, o Brasil faturou três ouros, incluindo a dobradinha da goiana Jane Karla Gögel — ex-número um do ranking mundial — sobre a compatriota Helena Nunes na classe Open. O cearense Eugênio Franco, de 66 anos, o mais velho da delegação, também subiu ao degrau mais alto.

Evolução de uma potência paralímpica

Os números desta edição revelam um salto expressivo em relação à estreia do torneio. Na primeira edição dos Jogos Parasul-Americanos, realizada em Santiago, no Chile, em 2014, o Brasil ficou em segundo lugar com 104 pódios, atrás justamente da Argentina. Doze anos depois, com 237 atletas competindo em 13 modalidades, a delegação mais que dobrou o número de pódios e assumiu a liderança com folga.

A evolução reflete o amadurecimento do esporte paralímpico brasileiro — um movimento que não se restringe ao eixo Rio-São Paulo e tem representantes em praticamente todos os estados do país. O próximo grande palco para essa geração é Los Angeles, em 2028, e Valledupar deixou claro que o Brasil chega ao novo ciclo olímpico não como candidato, mas como favorito.

Fontes: AGÊNCIA BRASIL, COMITÊ PARALÍMPICO BRASILEIRO