Procon-MS flagra diferença de 300% no preço de itens básicos em Campo Grande
Levantamento feito em 13 supermercados da capital entre 1º e 3 de julho aponta cebola, tomate e higiene como campeões de variação de preço.
Divulgação
Um levantamento do Procon Mato Grosso do Sul realizado entre 1º e 3 de julho de 2025 em 13 supermercados de Campo Grande revelou diferenças de preço que chegam a 300% para um mesmo produto, dependendo de onde o consumidor faz as compras — o que significa que, em alguns casos, o campo-grandense pode pagar quatro vezes mais por um item essencial sem perceber.
O levantamento avaliou 115 itens da cesta básica, incluindo hortifrúti, alimentos industrializados, higiene e limpeza. O resultado acende um alerta para o momento em que a pressão inflacionária já vinha corroendo o poder de compra das famílias: comparado a abril deste ano, feijão e arroz ficaram, em média, 41,38% e 13,31% mais caros, respectivamente.
Hortifrúti lidera as variações mais absurdasNo segmento de frescos, os números impressionam. A cebola nacional registrou as maiores oscilações entre os estabelecimentos visitados, com preço médio de R$ 6,16 por quilo — mas com amplitude que explica a variação de até 300% dependendo da bandeira escolhida. A alface crespa chegou a custar em média R$ 4,42 a unidade, e o tomate salada fechou com média de R$ 8,44 por quilo. A sazonalidade do inverno, que reduz a oferta de hortaliças produzidas em regiões serranas, pressiona diretamente esses preços, e a diferença de margem entre redes grandes e mercados menores amplifica ainda mais o abismo entre o mais barato e o mais caro.
Entre os alimentos industrializados, o açúcar cristal Sonora 2 kg apresentou variação de 137,20%, o macarrão espaguete Renata 500 g chegou a 134,12% de diferença entre estabelecimentos, e o arroz tipo 1 Guacira 5 kg variou 106,83%. Ou seja, produtos de prateleira, com embalagem e gramatura idênticas, custam valores radicalmente distintos dependendo apenas do endereço do supermercado.
Higiene e limpeza: creme dental com diferença de 210%O segmento de higiene e limpeza surpreendeu até os pesquisadores do Procon. O creme dental Sorriso apresentou variação de 210,70% entre os supermercados pesquisados — um dos maiores spreads registrados em toda a pesquisa. O sabão em barra Sol com cinco unidades não ficou muito atrás, com 132,89% de diferença. Esses produtos, frequentemente tratados como commodities de cuidados pessoais, tendem a passar despercebidos no momento da comparação, o que abre espaço para margens elevadas em determinadas redes.
O levantamento também identificou quedas relevantes em alguns itens. O macarrão parafuso Dallas 500 g registrou redução de 44,49% no preço mínimo encontrado em relação ao máximo, a água sanitária Candura 1 litro caiu 32,37% e o sal refinado Donana 1 kg recuou 31,09% — sinalizando que, para alguns itens, ainda há espaço para o consumidor economizar muito se fizer o dever de casa antes de ir às compras.
Como o campo-grandense pode se proteger da variaçãoA recomendação do Procon-MS é direta: pesquisar antes de comprar deixou de ser um hábito desejável para se tornar uma necessidade financeira. A diferença de R$ 300% entre o menor e o maior preço de um mesmo produto representa, ao longo do mês, um impacto real e significativo no orçamento de qualquer família. O órgão sugere ainda que os supermercados localizados nos bairros — geralmente ignorados em favor das grandes redes — sejam incluídos no roteiro de pesquisa, pois podem oferecer preços competitivos em determinadas categorias.
O comparativo completo entre os dados de abril e julho está disponível publicamente para consulta no link divulgado pelo Procon-MS, onde qualquer consumidor pode verificar a evolução dos preços produto por produto. A transparência dos dados é, em si, uma ferramenta de pressão: supermercados que aparecem repetidamente no topo da faixa de preços tendem a ajustar suas margens quando percebem que os consumidores estão atentos e comparando. Em um cenário de inflação persistente, informação é o maior desconto que o campo-grandense pode conseguir.
Fontes: PROCON MATO GROSSO DO SUL, SEAD-MS