Reforma do Horto avança e levanta dúvida sobre modelo de gestão
Espaço será reaberto com administração do Sesc e proposta amplia uso para além de parque tradicional
A reforma do Horto Florestal, em Campo Grande, entra em uma nova fase e muda não apenas a estrutura do espaço, mas principalmente a forma como ele será administrado e utilizado pela população.
Fechado desde março de 2025 após problemas estruturais e anos de falta de manutenção, o parque agora passa por um processo de revitalização que busca recuperar sua importância como área verde e de convivência na região central da cidade.
O ponto central dessa transformação é a mudança de gestão.
O Horto foi cedido ao Sistema Comércio, que reúne Sesc e Senac, por um período de 20 anos.
Caberá às instituições a responsabilidade pela administração, conservação e manutenção do local, em um modelo diferente do que vinha sendo adotado pela Prefeitura, que alegava falta de recursos para promover a revitalização necessária.
A proposta é garantir manutenção contínua e um uso mais ativo do espaço, algo que não vinha ocorrendo nos últimos anos.
Com o avanço das obras em 2026, o projeto começa a sair do papel. As intervenções incluem desde a recuperação da infraestrutura até mudanças mais profundas na forma de ocupação do parque.
Estão previstas melhorias no calçamento, reforma das áreas internas, requalificação do gradil e reorganização da vegetação, com destaque para o plantio de espécies do Cerrado e a realização de um inventário arbóreo completo.
Além das melhorias estruturais, o plano amplia o objetivo do Horto.
O espaço deixa de ser apenas um parque tradicional e passa a ser pensado como um ambiente multifuncional, com atividades de lazer, cultura, esporte e educação ambiental.
A proposta inclui a criação de áreas de convivência, espaços para eventos, atividades culturais, parquinho, academia ao ar livre e ações voltadas à educação ambiental.
É nesse ponto que surge a comparação com o Sesc.
A nova gestão traz características típicas das unidades da instituição, como organização, programação contínua e estrutura mais bem mantida.
No entanto, há uma diferença fundamental: o Horto continuará sendo um espaço público.
Ou seja, apesar da gestão privada, o acesso deve permanecer gratuito e aberto à população, sem o formato de clube fechado que existe em algumas unidades do Sesc.
Na prática, o que se desenha é um modelo intermediário.
O Horto não será exatamente uma unidade do Sesc, mas também deixará de funcionar como um parque público sem estrutura regular de manutenção e atividades.
A tendência é que o espaço funcione como um “Sesc ao ar livre”, com programação e serviços organizados, mas mantendo acesso universal.
A previsão é de que o parque seja reaberto no segundo semestre de 2026, após a conclusão das principais obras.
Até lá, a expectativa é de entrega gradual de melhorias e definição mais clara sobre o funcionamento cotidiano do espaço, incluindo horários, programação e regras de uso.
Mesmo com o avanço do projeto, ainda há cautela por parte da população.
O histórico de abandono e tentativas anteriores de revitalização que não avançaram totalmente faz com que moradores acompanhem de perto a execução das obras e a promessa de manutenção a longo prazo.
Se a proposta for executada como planejado, o Horto Florestal tende a passar por uma transformação significativa: de um espaço degradado e pouco utilizado para um polo ativo de convivência urbana, cultura e lazer no centro de Campo Grande.
A mudança também pode contribuir para a valorização do entorno e para a retomada do uso de áreas públicas pela população.