Preços do algodão caindo pressionam produtores e acende alerta em MS
Mesmo com produção menor, cultura tem papel relevante e enfrenta impacto de recuos no mercado interno
Os preços do algodão em pluma acumulam seis meses consecutivos de queda no mercado interno brasileiro, cenário que já começa a acender um sinal de alerta entre produtores rurais de Mato Grosso do Sul.
Apesar de não figurar entre os maiores produtores do país, o Estado possui uma cadeia consolidada e tecnificada, que também sente os efeitos da desvalorização da commodity.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mesmo com a sequência de recuos, as cotações domésticas ainda se mantêm acima da paridade de exportação — fator que, por um lado, sustenta certa competitividade, mas, por outro, limita o ritmo de negócios no mercado externo.
Em Mato Grosso do Sul, o algodão ocupa uma área aproximada de 30 mil a 32 mil hectares por safra, concentrada principalmente em municípios da região norte, como Costa Rica e Chapadão do Sul.
A produção, embora menor em comparação a estados como Mato Grosso, tem se destacado pela qualidade da fibra e produtividade crescente.
A cultura também possui relevância econômica no Estado. Dados do IBGE indicam que o algodão movimenta mais de R$ 620 milhões em valor de produção, consolidando-se como uma alternativa importante dentro da diversificação agrícola sul-mato-grossense.
No entanto, a recente queda de preços se soma a um conjunto de desafios já enfrentados pelo setor agropecuário.
Assim como ocorre com outras commodities, o algodão sofre pressão de fatores como menor demanda global, oscilações cambiais e concorrência com fibras sintéticas, além dos custos elevados de produção.
Para os produtores de Mato Grosso do Sul, o impacto é direto nas margens de lucro. Com receitas pressionadas, muitos têm adotado estratégias mais conservadoras, como a redução de investimentos, ajuste na área plantada e maior cautela na comercialização da safra.
Ainda assim, o setor mantém perspectivas moderadas. A boa qualidade da pluma produzida no Estado e o avanço tecnológico nas lavouras são considerados diferenciais que podem ajudar a sustentar a competitividade, sobretudo no mercado internacional.
O cenário, porém, exige atenção. A continuidade da queda nos preços pode comprometer o ritmo de expansão da cultura no Estado e reforça a necessidade de planejamento financeiro mais rigoroso por parte dos produtores, em meio a um ambiente de volatilidade no agronegócio.