Família denuncia descaso em atendimento e suspeita de preconceito em UPA de Campo Grande
Jovem Lucas Agenor, de 18 anos, teria sido orientado a aguardar fora da unidade mesmo com sintomas graves
A família de Lucas Agenor da Silva de Oliveira, de 18 anos, denuncia falhas no atendimento prestado pela UPA Universitário, em Campo Grande.
Segundo os relatos, o jovem apresenta há cerca de uma semana sintomas como vômito, diarreia e febre, e mesmo após procurar ajuda médica diversas vezes, não teria tido o problema resolvido.
Na quinta-feira (4), Lucas voltou à unidade de saúde, onde recebeu medicação e soro.
Após o procedimento, porém, teria sido orientado a aguardar do lado de fora da unidade, ainda debilitado.
A situação teria se agravado quando ele pediu um local para se deitar, mas não foi atendido.
Sem conseguir permanecer em pé, o jovem acabou se deitando na calçada em frente à UPA.
Vídeos registrados pela família mostram Lucas no chão, com tremores, enquanto aguardava atendimento.
Outro ponto levantado pelos familiares é a prescrição de um medicamento ao qual ele é alérgico.
Segundo o relato, a equipe médica teria sido informada sobre a alergia à bromoprida, mas mesmo assim o remédio foi receitado.
A mãe de Lucas, Rosalina Elisangela da Silva, afirma que tentou buscar esclarecimentos junto à assistência social da unidade, mas não obteve retorno.
Ela também relata que, após o companheiro do jovem questionar o atendimento, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) teria sido acionada.
Diante da situação, a família decidiu retirar o rapaz da UPA e levá-lo ao Hospital Regional, em busca de atendimento considerado mais adequado.
Indignada, a mãe criticou a demora e a qualidade dos serviços prestados na unidade de saúde.
Suspeita de preconceito
Além do suposto descaso, a família também levanta suspeita de homofobia no atendimento.
Lucas foi levado à unidade pelo companheiro e, durante a triagem, teria sido submetido a procedimentos considerados incompatíveis com o quadro clínico, como a solicitação de teste de HIV e encaminhamento para atendimento psiquiátrico.
Outro questionamento envolve a classificação de risco.
Mesmo com sinais de desidratação, o caso teria sido enquadrado como de prioridade intermediária, o que pode ter contribuído para aumentar o tempo de espera.