Campo Grande já entra no clima da Copa — veja como pintar e enfeitar ruas sem levar multa

Tradição volta a colorir bairros da Capital, mas exige autorização da Agetran

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Com a chegada da Copa do Mundo 2026, Campo Grande começa a respirar futebol — e uma das tradições mais queridas dos moradores volta a ganhar espaço: as ruas pintadas de verde e amarelo.

Em vários bairros da Capital, vizinhos se organizam, arrecadam tinta e transformam o asfalto em verdadeiros painéis de torcida, criando um clima de festa que antecipa a emoção dos jogos e reforça o sentimento de união entre a comunidade.

A prática, que marcou gerações principalmente nos anos 1990 e 2000, volta a ganhar força em 2026, puxada por iniciativas coletivas e pelo desejo de resgatar memórias afetivas.

Um dos principais exemplos recentes vem do Conjunto José Abrão, onde moradores participaram de ações que coloriram a rua com bandeiras, desenhos e símbolos do futebol, reforçando o caráter cultural e social da tradição.

Nesse tipo de mobilização, crianças, jovens e adultos se envolvem em mutirões que vão além da decoração, fortalecendo laços entre vizinhos e criando um verdadeiro ambiente de torcida comunitária. 

Embora o José Abrão seja hoje o principal destaque, outros bairros de Campo Grande também carregam histórico dessa tradição.

Regiões como Aero Rancho, Moreninhas, Nova Lima, Coophasul, Coophatrabalho e bairros da região leste, como Tiradentes, sempre tiveram forte participação comunitária e são lembrados por ruas enfeitadas e pintadas durante Copas anteriores.

Em comum, essas áreas possuem perfil mais residencial e proximidade entre moradores, o que facilita a organização coletiva. Já em regiões centrais ou vias de grande movimento, a prática é menos comum, principalmente por questões de trânsito e fiscalização.

Apesar do clima festivo, quem deseja pintar a rua em Campo Grande precisa ficar atento às regras.

A atividade não é proibida, mas exige autorização prévia da prefeitura, por meio da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).

Isso porque, segundo o Código de Trânsito Brasileiro, a sinalização viária é de responsabilidade exclusiva do poder público, e qualquer intervenção no asfalto sem liberação oficial pode ser considerada irregular. 

Na prática, o processo para conseguir autorização é simples. Os moradores precisam procurar o órgão responsável pelo trânsito, abrir um pedido formal informando o local e os responsáveis pela ação e aguardar a análise técnica. A prefeitura avalia principalmente se a rua possui baixo fluxo de veículos e se a pintura não vai comprometer a segurança. Após a liberação, a comunidade pode seguir com a decoração normalmente, desde que respeite as orientações estabelecidas. 

Para solicitar a autorização em Campo Grande, o contato pode ser feito diretamente com a Agetran, pelo telefone(67) 3314‑3366, além dos canais oficiais da Prefeitura.

Entre as recomendações mais comuns estão o uso de tinta lavável, a escolha de ruas residenciais e o cuidado para não interferir na sinalização existente. Faixas de pedestres, setas e demais marcas viárias não podem ser cobertas em nenhuma hipótese, já que isso pode gerar confusão no trânsito e aumentar o risco de acidentes. Além disso, também é proibido decorar postes, semáforos ou utilizar a fiação elétrica para pendurar enfeites. 

Quem descumpre as regras pode enfrentar penalidades. Pintar a rua sem autorização pode resultar em multa aplicada pela prefeitura, além da obrigação de remover a pintura ou restaurar o local. Em situações mais graves, a ação pode ser enquadrada como dano ao patrimônio público, com base na legislação ambiental, que prevê multa e até detenção em casos de vandalismo.

Mesmo com essas exigências, a tradição continua sendo vista como uma manifestação cultural importante. Quando feita de forma organizada e dentro das normas, a pintura das ruas transforma bairros em espaços de convivência, diversão e celebração. Mais do que estética, ela representa um momento de encontro entre moradores, reforçando a identidade local e o entusiasmo coletivo em torno da Seleção Brasileira.

Com a proximidade do Mundial, a expectativa é de que cada vez mais bairros de Campo Grande entrem no clima e resgatem essa prática. A cena de ruas coloridas, crianças pintando o asfalto e vizinhos reunidos em mutirão tende a se repetir, especialmente nas regiões onde a convivência comunitária ainda é forte. Para quem quer participar, a dica é simples: reunir os vizinhos, organizar o pedido de autorização e preparar a tinta — porque, seguindo as regras, a festa da Copa está mais do que garantida na Capital.