Malha Oeste deve escoar celulose de Três Lagoas e região destravando logística em MS
Ferrovia entra no centro da estratégia para reduzir custos e impulsionar exportações no Estado
A Ferrovia Malha Oeste voltou ao centro do debate logístico em Mato Grosso do Sul e deve se consolidar como eixo principal para o escoamento da produção de celulose de Três Lagoas, um dos maiores polos industriais do setor no Brasil. O movimento ocorre em meio ao novo processo de concessão do trecho ferroviário, previsto para 2026, e à expansão das indústrias de base florestal no leste do Estado.
Atualmente, a Malha Oeste liga Corumbá (MS) a Mairinque (SP), com cerca de 1.973 quilômetros de extensão, mas enfrenta décadas de abandono e baixa capacidade operacional. A expectativa do governo federal é relicitar a ferrovia com um modelo mais atrativo ao setor privado, incluindo divisão por trechos e incentivos a investimentos bilionários para modernização.
Celulose impulsiona retomada dos trilhos
O principal fator por trás da valorização da Malha Oeste é a força da cadeia da celulose em Mato Grosso do Sul. Três Lagoas concentra grandes indústrias como Suzano e Eldorado Brasil, enquanto novos projetos avançam em municípios como Ribas do Rio Pardo e Inocência.
Essas empresas já planejam ou executam ramais ferroviários próprios para se conectar à ferrovia principal. Ao todo, três linhas privadas (shortlines) somam cerca de 248 quilômetros e mais de R$ 5 bilhões em investimentos, com a função de levar a produção até a malha nacional e, posteriormente, aos portos de exportação.
A conexão com a Malha Norte e com a Ferronorte, especialmente na região de Aparecida do Taboado, é considerada estratégica para garantir acesso ao Porto de Santos (SP), principal corredor de exportação do país.
Trechos prioritários e modelo por lotes
Diante do alto custo para recuperação integral — estimado em cerca de R$ 35,7 bilhões — o governo federal avalia conceder a ferrovia em partes, priorizando inicialmente os segmentos mais viáveis economicamente.
O trecho entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado e a ligação até Campo Grande aparecem como os mais promissores, justamente por concentrarem maior demanda de carga, especialmente da indústria de celulose.
Por outro lado, segmentos como o que corta o Pantanal, entre Campo Grande e Corumbá, enfrentam desafios de viabilidade econômica e menor atratividade para investidores.
Leilão em 2026 e expectativa de investimentos
O edital de concessão da Malha Oeste deve ser publicado em 2026, com leilão previsto para o segundo semestre, dentro da Política Nacional de Concessões Ferroviárias.
A nova modelagem prevê não apenas a recuperação da infraestrutura existente, mas também a integração com outros corredores logísticos e a atração de operadores independentes. A estimativa é de que o projeto envolva dezenas de bilhões de reais ao longo do contrato, considerando obras, manutenção e operação.
Impacto na economia de Mato Grosso do Sul
A reativação e modernização da Malha Oeste é vista como um divisor de águas para a economia sul-mato-grossense. O fortalecimento do transporte ferroviário deve reduzir custos logísticos, diminuir a dependência do modal rodoviário e aumentar a competitividade das exportações.
Para o setor de celulose, que opera com grande volume e demanda eficiência no transporte até os portos, a ferrovia pode garantir maior previsibilidade e escala. Já para o Estado, o projeto consolida Mato Grosso do Sul como corredor estratégico de exportação, integrando produção industrial, agronegócio e mineração.
Novo ciclo logístico
Após quase 30 anos de deterioração e baixa utilização, a Malha Oeste pode entrar em um novo ciclo. A combinação entre investimentos públicos, concessões e iniciativas privadas cria as condições para transformar a ferrovia em um dos principais eixos logísticos do Centro-Oeste.
Se confirmadas as projeções, Três Lagoas deve assumir protagonismo nacional não apenas como polo produtor de celulose, mas como nó logístico ferroviário — conectando a produção local aos mercados internacionais com mais eficiência e menor custo.