Ferrovia de passageiros ganha destaque, enquanto MS relembra fim do Trem do Pantanal

Viagem mais longa da América do Sul contrasta com descontinuidade do transporte ferroviário no Centro-Oeste

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A circulação de um dos trens de passageiros mais longos da América do Sul, ligando regiões do Nordeste ao Norte do Brasil, reacendeu o debate sobre o transporte ferroviário no país. A linha da Estrada de Ferro Carajás, frequentemente citada em publicações recentes, conecta cidades ao longo de quase 900 quilômetros, mantendo uma das poucas rotas regulares de passageiros ainda em operação no Brasil.

O trajeto liga São Luís (MA) a Parauapebas (PA), passando por cerca de 27 cidades ao longo do percurso. A ferrovia atravessa os estados do Maranhão e do Pará e funciona tanto para transporte de passageiros quanto de cargas, sendo considerada uma referência de operação ferroviária ativa no país.

Trem do Pantanal marcou época no turismo sul-mato-grossense

Enquanto algumas regiões mantêm linhas ferroviárias em funcionamento, Mato Grosso do Sul vive um cenário diferente, marcado pela ausência de trens de passageiros. O caso mais emblemático é o do Trem do Pantanal, que deixou de operar há mais de uma década.

O projeto foi retomado em 2009 como uma iniciativa turística que utilizava trilhos históricos da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Na fase mais recente de operação, o percurso ligava principalmente Campo Grande a Miranda, passando por paisagens típicas do Pantanal sul-mato-grossense.

Historicamente, a ferrovia seguia até Corumbá, consolidando um dos principais corredores ferroviários do Estado. Durante sua operação turística, o trem oferecia experiências culturais, gastronômicas e ambientais, atraindo visitantes de diversas regiões do Brasil e do exterior.

Serviço foi encerrado em 2014

Apesar do potencial turístico, o Trem do Pantanal teve a operação encerrada em 2014, após enfrentar dificuldades operacionais e financeiras. Desde então, Mato Grosso do Sul não conta com transporte ferroviário regular de passageiros.

O fim do projeto deixou um vazio no setor turístico ferroviário do Estado e ainda hoje é lembrado como uma das principais iniciativas voltadas à valorização da cultura e das paisagens pantaneiras.

Contraste evidencia potencial ferroviário

A comparação entre o trem em operação na Estrada de Ferro Carajás e o fim do Trem do Pantanal evidencia diferenças de investimento e viabilidade no transporte ferroviário brasileiro.

Especialistas apontam que o Brasil possui grande potencial para ampliar o uso de ferrovias tanto no transporte de passageiros quanto no turismo. Em Mato Grosso do Sul, a retomada de projetos semelhantes ao Trem do Pantanal ainda aparece no debate público, mas sem avanços concretos.

Modal segue como oportunidade

Mesmo sem operação atual, o legado do Trem do Pantanal mantém viva a discussão sobre a retomada das ferrovias de passageiros no Estado. A experiência mostra que o modelo pode contribuir para a economia, o turismo e a integração regional.

O contraste entre regiões que ainda mantêm trens ativos e aquelas onde o serviço foi interrompido reforça que o futuro do transporte ferroviário no Brasil segue como uma oportunidade em aberto, dependente de planejamento, investimentos e políticas públicas consistentes.