Brasil faz fronteira com país de língua inglesa que lidera crescimento econômico mundial

Lethem, na Guiana, mostra como o inglês e o avanço impulsionado pelo petróleo ainda convivem com uma realidade simples na divisa com o Brasil

Por

O Brasil faz fronteira com um país em que o inglês é o idioma oficial e que, nos últimos anos, passou a figurar entre as economias que mais crescem no mundo. Do outro lado da linha internacional está a Guiana, cuja expansão econômica vem sendo puxada principalmente pela exploração de petróleo em alto-mar. Mas, na prática, esse crescimento ainda parece distante da vida cotidiana de quem vive em áreas fronteiriças.

É o caso de Lethem, cidade guianense localizada na divisa com o município brasileiro de Bonfim, em Roraima. Apesar da posição estratégica, Lethem mantém um ritmo de vida simples, com comércio local básico, infraestrutura limitada e forte dependência da circulação diária entre os dois países.

O crescimento acelerado do Produto Interno Bruto (PIB) da Guiana, frequentemente citado em rankings internacionais, contrasta com a realidade observada na fronteira. Estradas, serviços públicos e oportunidades de emprego ainda não refletem, de forma direta, os bilhões de dólares que movimentam o setor petrolífero no país.

Na região, a economia segue baseada em pequenas lojas, trocas comerciais informais e no fluxo de brasileiros que atravessam a fronteira em busca de produtos importados ou trabalho temporário. A presença do inglês como língua oficial também molda o cotidiano local, convivendo com o português falado por moradores e comerciantes que circulam entre os dois lados.

Especialistas apontam que grandes ciclos de crescimento econômico nem sempre produzem efeitos imediatos ou equitativos, especialmente em áreas periféricas ou afastadas dos centros de decisão. No caso de Lethem, a expectativa é de que investimentos em infraestrutura e integração logística possam, no futuro, aproximar a prosperidade macroeconômica da realidade local.

Enquanto isso não acontece, a cidade segue como um retrato vivo das contradições do crescimento: números impressionam nos relatórios internacionais, mas, para quem vive na fronteira, as mudanças ainda chegam em passos lentos.