A capital sul-mato-grossense ganha neste sábado um evento que traduz bem o espírito de uma cidade onde o sagrado e o secular convivem sem constrangimento: a 2ª Corrida da Divina Misericórdia reúne centenas de corredores pelas ruas de Campo Grande, combinando prática esportiva e expressão de fé católica. A prova, que já nasce com ares de tradição consolidada após o sucesso da edição inaugural, percorre vias centrais da cidade e atrai desde atletas amadores até famílias inteiras que encaram o percurso como um ato devocional em movimento.
O evento reflete uma tendência que se fortalece na capital: a multiplicação de corridas de rua temáticas, que funcionam como ponto de encontro comunitário e movimentam a economia local, do comércio de artigos esportivos às lanchonetes e restaurantes do entorno. Para os organizadores, a expectativa é de público superior ao do ano passado, impulsionado pela proximidade com a Semana da Divina Misericórdia, celebrada pela Igreja Católica logo após a Páscoa.
Campo Grande segue também atenta à rotina urbana deste sábado. O trânsito em algumas vias centrais sofre alterações por conta do trajeto da corrida, e a recomendação das autoridades municipais é que motoristas busquem rotas alternativas durante o período da prova. Nos bairros, o comércio funciona em horário regular de fim de semana, e os parques da cidade, como o das Nações Indígenas, devem receber o público habitual de famílias que aproveitam o clima ameno de outono.
No interior do Estado, o ritmo é ditado pela safra. A colheita de soja avança nas regiões de Dourados, Maracaju e Sidrolândia, e os produtores monitoram de perto as cotações, que seguem em patamar firme (detalhes no Painel Agro abaixo). Três Lagoas, polo industrial e de celulose, mantém a geração de empregos formais como destaque entre os municípios do leste sul-mato-grossense, consolidando sua posição de segundo maior PIB do Estado.
No Pantanal, a estação das águas dá sinais de recuo, e a planície começa a transição para o período de seca. Corumbá e Ladário observam o nível do rio Paraguai, que ainda se mantém acima da média histórica para abril, garantindo boas condições de navegação no trecho que serve ao escoamento de minério e grãos. A temporada de pesca esportiva, que atrai turistas de todo o Brasil, segue aberta e com demanda aquecida, segundo operadores locais de turismo.
O cenário político em Mato Grosso do Sul neste sábado opera em compasso de fim de semana, mas o bastidor não descansa. No Governo do Estado, a gestão Eduardo Riedel segue empenhada em acelerar a execução de obras rodoviárias e de infraestrutura logística, agenda considerada prioritária para dar suporte ao crescimento do agronegócio e da indústria de celulose. A Assembleia Legislativa, em recesso de Semana Santa, retoma os trabalhos na próxima semana com pauta que inclui projetos de incentivo fiscal e revisão do orçamento estadual.
Em Brasília, a bancada federal de MS acompanha com atenção os desdobramentos da política cambial e comercial do governo federal. O dólar a R$ 5,06, menor patamar em dois anos, é uma faca de dois gumes para o Estado: beneficia quem importa insumos e máquinas, mas comprime a receita em reais dos exportadores de soja, carne e celulose. A equipe econômica do Planalto sinaliza que o câmbio reflete fundamentos, não intervenção, o que sugere que o real fortalecido veio para ficar por algum tempo.
COTAÇÕES CEPEA — 11/04/2026
| Produto | Valor | Unidade |
|---|---|---|
| Boi Gordo | R$ 365,45 | arroba |
| Bezerro (MS) | R$ 3.310,49 | cabeça |
| Soja | R$ 127,84 | saca 60kg |
| Milho | R$ 69,59 | saca 60kg |
| Algodão | R$ 390,81 | lb |
| Etanol (SP) | R$ 2,8875 | litro |
O boi gordo segue firme a R$ 365,45 a arroba, patamar que garante margens positivas para o pecuarista sul-mato-grossense, especialmente quando combinado com o bezerro a R$ 3.310,49 por cabeça, sinalizando que a reposição permanece demandada. A relação de troca, porém, exige cautela: quem precisa repor o rebanho enfrenta custos elevados. Na soja, os R$ 127,84 a saca refletem um mercado que ainda absorve os efeitos do real mais forte. A valorização do câmbio comprime os preços em moeda local, mas os prêmios nos portos e a demanda chinesa têm servido de amortecedor.
O milho a R$ 69,59 a saca mantém o confinador atento, já que o grão é o principal componente do custo de engorda. O algodão, a R$ 390,81 por libra-peso, permanece em território atrativo para os produtores do cerrado sul-mato-grossense, que ampliaram a área plantada nesta safra. Já o etanol paulista a R$ 2,8875 o litro serve de referência indireta para os custos de frete e logística no Estado, que dependem fortemente do modal rodoviário.
INDICADORES ECONÔMICOS — 11/04/2026
| Indicador | Valor | Variação |
|---|---|---|
| Dólar Comercial | R$ 5,06 | n/d |
| IBOVESPA | 195.129 pts | n/d |
| Selic (a.a.) | 14,75% | |
| IPCA (acum. 12m) | 3,81% | |
| Bitcoin | R$ 365.053,05 | n/d |
| Ouro (grama) | R$ 783,57 | |
| Petróleo (barril) | US$ 96,41 |
O dado mais relevante para quem vive e trabalha em Mato Grosso do Sul é a combinação entre dólar em queda e bolsa em alta recorde. O câmbio a R$ 5,06, menor nível em dois anos, barateia importações de fertilizantes, defensivos e maquinário agrícola, itens que pesam enormemente no custo de produção das fazendas sul-mato-grossenses. Na ponta oposta, o exportador de carne, soja e celulose recebe menos reais por cada dólar faturado. Para o consumidor urbano, o real forte tende a conter a pressão inflacionária sobre alimentos e combustíveis.
O IBOVESPA aos 195.129 pontos, em máxima histórica, sinaliza apetite do investidor por ativos brasileiros, reflexo de uma Selic ainda elevada a 14,75% ao ano, que atrai capital estrangeiro, e de uma inflação comportada, com o IPCA acumulado em 3,81% em 12 meses, dentro da meta. O petróleo a US$ 96,41 o barril mantém o diesel pressionado, o que afeta diretamente o frete rodoviário e, por consequência, o custo logístico das commodities que saem de MS rumo aos portos de Santos e Paranaguá.
No cenário nacional, a queda do dólar para R$ 5,06 dominou as conversas do mercado financeiro. O movimento reflete uma conjunção de fatores: a taxa de juros brasileira, entre as mais altas do mundo, segue atraindo fluxo de capital estrangeiro, ao mesmo tempo em que a balança comercial permanece superavitária, turbinada justamente pelas exportações de commodities nas quais Mato Grosso do Sul é protagonista. Para o produtor local, o cenário é ambíguo: insumos importados ficam mais baratos, mas a receita das exportações encolhe em reais.
A Ibovespa batendo recorde acima dos 195 mil pontos indica que o mercado precifica um ciclo econômico favorável, com expectativa de que o Banco Central inicie cortes na Selic ainda no segundo semestre. Se isso se confirmar, o crédito rural e os financiamentos para o agro poderão ficar mais acessíveis, algo que interessa diretamente aos produtores de MS que planejam investir na próxima safra.
No front internacional, o petróleo próximo dos US$ 100 por barril segue como variável de risco. A Opep mantém a política de contenção da oferta, e qualquer escalada geopolítica pode empurrar o barril para cima, encarecendo o diesel no Brasil e, por tabela, o custo de transporte das safras sul-mato-grossenses. Paralelamente, a demanda chinesa por proteína animal permanece robusta, sustentando os preços da carne bovina exportada por Mato Grosso do Sul, que é o segundo maior exportador de carne do país.
LOTERIAS CAIXA
Mega-Sena (Concurso 2994, 09/04): 01 - 10 - 23 - 31 - 40 - 55 | Prêmio estimado: R$ 40 milhões
Lotofácil (Concurso 3657, 09/04): 01 - 02 - 04 - 07 - 08 - 10 - 12 - 13 - 17 - 18 - 19 - 20 - 22 - 23 - 24 | Prêmio estimado: R$ 2.000.000,00
Quina (Concurso 6997, 09/04): 22 - 25 - 26 - 55 - 74 | Prêmio estimado: R$ 12 milhões
Em 11 de abril de 1970, a NASA lançava a missão Apollo 13, que enfrentaria uma explosão a bordo e se tornaria um dos mais célebres episódios de resgate da história espacial. Já em 11 de abril de 1919, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) era fundada em Versalhes, inaugurando a era dos direitos trabalhistas no cenário internacional, legado que ecoa até hoje nas leis que protegem o trabalhador rural e urbano de Mato Grosso do Sul.
O fato mais importante do dia para Mato Grosso do Sul não está nas ruas de Campo Grande, por mais simpática que seja a Corrida da Divina Misericórdia. Está nos terminais da B3 e nas mesas de câmbio: o dólar a R$ 5,06 redesenha a equação de rentabilidade de todo o agronegócio sul-mato-grossense. Com a soja sendo precificada em dólar e vendida em real, cada centavo que o câmbio recua representa milhões a menos entrando nos cofres dos produtores do Estado. O boi gordo, que depende da demanda externa para sustentar preços elevados, enfrenta pressão semelhante. Quem travou câmbio antecipadamente está protegido; quem ficou exposto sente o aperto agora.
A boa notícia é que o cenário macroeconômico, com inflação controlada e bolsa em máxima, sugere estabilidade, algo que o investidor rural valoriza quando planeja a safrinha e os investimentos de médio prazo. O que vale acompanhar nas próximas semanas é o comportamento do petróleo, que ao redor dos US$ 96 mantém o diesel caro e corrói as margens de quem depende do frete. Se o barril furar os US$ 100, o custo logístico de MS, Estado distante dos portos, sofrerá mais que o da maioria dos concorrentes. Fiquemos de olho.