Sebrae/MS usa IA para ensinar startups a criar sistemas sem programar

Living Lab reuniu empreendedores em Campo Grande para transformar problemas reais em produtos tecnológicos com apoio da inteligência artificial

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Sebrae/MS usa IA para ensinar startups a criar sistemas sem programar
Divulgação

O Living Lab do Sebrae/MS reuniu empreendedores e desenvolvedores na última quarta-feira, 8 de abril, em uma oficina prática que mostrou como a inteligência artificial pode substituir — ou ao menos reduzir drasticamente — a dependência de programadores na hora de criar um produto digital. O encontro, realizado em Campo Grande, teve como fio condutor uma questão que paralisa boa parte das startups iniciantes: como sair de uma ideia e chegar a um produto funcional sem gastar uma fortuna com desenvolvimento.

A iniciativa integra uma agenda crescente do Sebrae/MS para aproximar pequenos negócios das ferramentas tecnológicas que estão remodelando o mercado. Em vez de tratar a inteligência artificial como tema de palestra, o laboratório optou por um formato mão na massa — com desafios práticos e casos reais — que coloca o empreendedor diretamente no processo de construção de soluções.

Da dor ao produto: o método que virou oficina

Quem conduziu a capacitação foi o empresário Wellington Pedro Costa de Freitas, da empresa Pcmaster, que transformou a própria trajetória em metodologia. A oficina percorreu quatro etapas: identificar o problema que origina a solução, acompanhar a evolução gradual do projeto, usar ferramentas de IA como apoio técnico e, no encerramento, construir na prática a base de um minissistema. "Muitas pessoas desistem nessa etapa por acreditarem que precisam contratar um programador, o que acaba sendo caro para quem está começando. A proposta é mostrar que hoje já é possível desenvolver esse primeiro passo de forma mais rápida, acessível e prática, utilizando ferramentas de inteligência artificial", explicou Freitas.

O conceito central trabalhado na oficina foi o de MVP — Produto Mínimo Viável, a versão enxuta de um sistema criada para testar se uma ideia funciona antes de qualquer grande investimento. A mensagem foi direta: com as ferramentas de IA disponíveis hoje, empreendedores sem formação técnica conseguem chegar a esse estágio com mais velocidade e menos custo do que imaginariam.

Quem participou — e por quê

O perfil dos participantes revelou um ecossistema diverso. O engenheiro de software Alex Barroso, que já utiliza inteligência artificial no trabalho, foi à oficina em busca de novas ferramentas e de ganhos de produtividade. "O Living Lab é um ambiente que já faz parte da minha trajetória — participo de encontros, já estive em programa de aceleração e pretendo retornar com novos projetos. É um espaço que contribui muito para quem quer desenvolver ideias e evoluir dentro do ecossistema de inovação", afirmou.

Já a empresária Lise Lopes, que atua com inteligência financeira, chegou com um objetivo claro: entender como automatizar processos e escalar o negócio. "Queremos mais automação, velocidade e escalabilidade, e a inteligência artificial chega justamente para apoiar esse processo. Já utilizo IA no dia a dia, mas encontros como esse ampliam a visão e apresentam novas possibilidades", disse ela. A presença de profissionais com diferentes níveis de familiaridade com tecnologia é, segundo o Sebrae/MS, parte do que torna o formato do Living Lab eficaz.

O papel estratégico do Living Lab para o ecossistema sul-mato-grossense

Para o analista técnico Caio Areco, do Sebrae/MS, o laboratório cumpre uma função que vai além da capacitação. "O Living Lab conecta empreendedores a mercado, conhecimento e rede estratégica, reduzindo riscos e aumentando as chances de crescimento das startups. A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência e passou a representar uma vantagem competitiva direta", pontuou.

Mato Grosso do Sul tem avançado na construção de um ecossistema de inovação — com iniciativas como o programa Capital Empreendedor, a 3ª edição do Centelha (que prevê R$ 6,3 milhões em financiamento para startups) e o apoio a estúdios de games que chegam a mercados nacionais. Nesse cenário, oficinas como a do Living Lab funcionam como pontes entre o conhecimento disponível e a capacidade real dos empreendedores de transformá-lo em produto. A próxima etapa, segundo o Sebrae/MS, é ampliar o calendário de atividades do laboratório ao longo do segundo semestre de 2026.

Quem quiser acompanhar as ações do Living Lab ou se informar sobre os programas do Sebrae/MS pode acessar o site ms.sebrae.com.br ou ligar para a Central de Relacionamento pelo 0800 570 0800.

Fontes: SEBRAE/MS


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