Carne bovina brasileira bate recorde em março com US$ 1,36 bi exportado

Com 233,9 mil toneladas embarcadas em 22 dias úteis, Brasil supera em 40,7% o desempenho de março de 2024 e consolida liderança global no setor

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O Brasil encerrou março de 2026 com o melhor desempenho histórico para o mês nas exportações de carne bovina in natura: 233,951 mil toneladas embarcadas ao longo de 22 dias úteis, gerando uma receita de US$ 1,36 bilhão ao país. Os dados, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), confirmam que o agronegócio brasileiro segue acelerando em um momento de forte demanda internacional pela proteína animal produzida no país.

O resultado coloca em perspectiva a trajetória de crescimento do setor: em apenas dois anos, os embarques de carne bovina cresceram 40,7% em relação a março de 2024. Em comparação com março de 2025, a alta é de 8,6%. Para Mato Grosso do Sul, segundo maior rebanho bovino do Brasil com cerca de 22 milhões de cabeças, esse ciclo virtuoso tem impacto direto na renda do campo e na movimentação das frigoríficas espalhadas pelo estado.

Preço por tonelada sobe 18% e reforça valor do boi brasileiro no exterior

Além do volume, o que chama atenção no resultado de março é a valorização do produto brasileiro no mercado internacional. O preço médio da tonelada embarcada chegou a US$ 5.814,80, contra US$ 4.898,60 registrados no mesmo mês do ano anterior — uma alta de quase 19% em doze meses. Isso significa que o Brasil não está apenas vendendo mais carne: está vendendo mais caro, o que amplia ainda mais a receita gerada pelo setor.

A média diária de embarques ficou em 10,634 mil toneladas, ritmo que posiciona o Brasil entre os maiores fornecedores globais de proteína bovina. O único ponto de atenção no levantamento da Secex foi uma leve retração de 0,8% frente ao volume embarcado em fevereiro de 2026 — queda considerada irrelevante pelos analistas diante do contexto geral de crescimento.

MS no centro da cadeia: frigoríficos e pecuaristas colhem resultados

Mato Grosso do Sul figura entre os estados que mais contribuem para esses números. O estado abriga algumas das maiores unidades frigoríficas do país, pertencentes a grupos como JBS, Marfrig e Minerva Foods, e tem na pecuária uma das bases mais sólidas de sua economia. A valorização do boi gordo no mercado doméstico, puxada em parte pela demanda externa, reflete diretamente na arroba negociada pelos produtores sul-mato-grossenses.

Para o pecuarista do Pantanal, do Bolsão ou do Cone Sul, o momento é de otimismo cauteloso: preços elevados no exterior sustentam a arroba interna, mas o cenário exige atenção a variáveis como câmbio, sanidade animal e eventuais barreiras tarifárias impostas por parceiros comerciais. A China, principal destino da carne brasileira, enfrenta um surto de febre aftosa em rebanhos locais — situação que, segundo especialistas do setor, pode tanto ampliar a demanda por importações quanto gerar instabilidade regulatória nos próximos meses.

Segundo semestre traz incertezas, mas tendência é de manutenção do patamar

O desempenho de março coroa um primeiro trimestre robusto para as exportações de proteína animal brasileira. O desafio agora é sustentar o ritmo nos meses seguintes, especialmente diante de um segundo semestre que pode trazer volatilidade no preço da arroba e eventuais ajustes na demanda chinesa. Analistas do agronegócio apontam que o Brasil precisa diversificar mercados — ampliando presença no Oriente Médio, no Sudeste Asiático e em mercados europeus — para reduzir a dependência de um único comprador.

Para Mato Grosso do Sul, que tem no agronegócio o pilar mais robusto de sua economia, o recorde de março representa tanto uma celebração quanto um alerta: é preciso avançar em rastreabilidade, bem-estar animal e sustentabilidade para garantir que a carne sul-mato-grossense continue abrindo portas — e gerando divisas — no mercado global.

Fontes: SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX)