COP15 em Campo Grande deixa Bosque com 250 mudas nativas como legado
Diplomatas, delegados e moradores plantaram espécies do Cerrado no sábado (28), incluindo manduvi para atrair a arara-azul de volta à cidade.
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Um bosque com 250 mudas de espécies nativas do Cerrado e frutíferas ganhou vida em Campo Grande na tarde de sábado (28), marcando um dos gestos mais simbólicos da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15). Delegados internacionais, diplomatas, ativistas ambientais e campo-grandenses de todas as idades participaram juntos do plantio, batizado de Bosque da COP15, num ato que uniu compromisso global com ação local no coração do Brasil.
Manduvi para a arara-azul: símbolo vivo da conservaçãoEntre as espécies escolhidas para o bosque estão sapoti, pitanga e angico — mas é o manduvi que carrega o significado mais especial para o ecossistema sul-mato-grossense. A árvore é a principal fonte de ninhos para a arara-azul, ave ícone do Pantanal que vem retornando gradualmente ao perímetro urbano de Campo Grande. A bióloga Sílvia Ray Pereira, da Gerência de Arborização da Prefeitura Municipal, explicou que o local do plantio foi escolhido estrategicamente dentro de um programa municipal já em andamento para a criação de miniflorestas em praças com baixa cobertura vegetal. "Ter o manduvi nesse espaço é criar um corredor seguro para que a arara-azul encontre condições de nidificação dentro da cidade", destacou a especialista. A iniciativa combina arborização urbana, qualidade de vida para a população e suporte à fauna silvestre — três frentes que raramente caminham juntas em projetos municipais.
Plenária avança e espécies do Pantanal entram na lista de proteçãoEnquanto o bosque tomava forma no período da tarde, a manhã de sábado foi marcada pela plenária preparatória para o encerramento da COP15, previsto para domingo (29). Mais de 100 itens da agenda foram deliberados com consenso e encaminhados para adoção oficial na sessão final. O presidente da conferência, João Paulo Capobianco, confirmou que as resoluções serão formalizadas no último dia do encontro.
O Brasil liderou ou apoiou medidas relevantes, entre elas a aprovação do Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e esforços internacionais voltados ao tubarão-mangona e ao tubarão-peregrino. Após a plenária final, entram para as listas da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) o maçarico-de-bico-torto e o maçarico-de-bico-virado no Anexo I (ameaçados de extinção); o peixe pintado, o tubarão cação-cola-fina e o caboclinho-do-pantanal no Anexo II; além da ariranha e dos petreis, incluídos nas duas listas simultaneamente. A proposta de inclusão do tubarão cação-anjo-espinhoso no Anexo II foi retirada pelo Brasil após ausência de consenso, para não travar o avanço das demais deliberações.
A secretária executiva da CMS, Amu Fraenkel, resumiu o espírito da conferência ao comentar o plantio coletivo: para ela, o ato de colocar mudas no solo representa exatamente o que diferencia grandes convenções ambientais de meros encontros diplomáticos — a capacidade de transformar debate em ação concreta, do nível global ao local.
Sediada em Campo Grande, a COP15 reforça o protagonismo de Mato Grosso do Sul nas discussões sobre biodiversidade e espécies migratórias. O estado abriga parte do Pantanal, maior planície alagável do mundo, e do Cerrado, segundo maior bioma brasileiro — ambos habitat de inúmeras espécies ameaçadas que integram as listas debatidas ao longo da semana. O legado físico do encontro, o Bosque da COP15, ficará na cidade como marca permanente do compromisso assumido por mais de cem países em solo sul-mato-grossense.
Fontes: AGÊNCIA BRASIL, MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA