Dourados regulamenta troca de responsável tributário em imóveis sem registro em cartório

Decreto municipal permite que novo possuidor figure no cadastro fiscal mesmo sem escritura, facilitando regularização de tributos como IPTU na cidade.

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Dourados regulamenta troca de responsável tributário em imóveis sem registro em cartório
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A Prefeitura de Dourados formalizou, via Decreto nº 591, de 23 de março de 2026, as regras para atualizar o cadastro imobiliário municipal — especialmente nos casos em que um imóvel já mudou de mãos na prática, mas o registro em cartório ainda não foi feito. A norma, publicada no Diário Oficial do Município, permite que o comprador passe a responder pelos tributos do bem perante o fisco local sem precisar apresentar a matrícula atualizada.

A medida resolve um problema frequente em transações imobiliárias: o antigo dono continua sendo cobrado pelo IPTU e outras taxas mesmo após vender o imóvel, enquanto o novo ocupante não consegue acompanhar nem quitar suas obrigações fiscais. Com o decreto, o comprador pode solicitar a alteração administrativa do responsável tributário cadastrado no município.

A secretária municipal de Fazenda, Suelen Nunes Venâncio, ressalta que a mudança no cadastro tem natureza exclusivamente administrativa. Ou seja, não transfere a propriedade legal do imóvel nem dispensa o registro em cartório — esses passos continuam sendo obrigatórios para a transferência jurídica do bem. O que muda é quem aparece como devedor dos tributos municipais enquanto o processo formal ainda não foi concluído.

Todo o procedimento será realizado de forma digital. Os contribuintes devem acessar o sistema de protocolo eletrônico da prefeitura ou o portal da Central de Atendimento ao Cidadão (CAC) para abrir a solicitação, anexar os documentos exigidos e acompanhar o andamento. A Secretaria de Fazenda orienta que quem se enquadra nessa situação regularize o cadastro o quanto antes para evitar cobranças indevidas.

Do ponto de vista da gestão pública, a iniciativa visa reduzir inconsistências nos dados fiscais do município — um problema que gera erros na emissão de carnês, dificulta negociações de dívidas e prejudica tanto o contribuinte quanto a arrecadação local. A digitalização do processo também é apontada como ganho: elimina filas e permite rastreamento em tempo real de cada solicitação.

Para Mato Grosso do Sul, onde a regularização fundiária ainda é um desafio em muitos municípios — especialmente em áreas de assentamento e expansão urbana acelerada —, decretos como este podem servir de referência para outras prefeituras que enfrentam o mesmo gargalo entre a realidade das posses e os registros oficiais.

Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE DOURADOS


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