Supersafra de soja no Paraguai pressiona mercado regional

Produção recorde no país vizinho, somada à colheita elevada no Brasil, amplia oferta e influencia preços e decisões de plantio

Por -Gabriela Porto

Produção maior no país vizinho, somada à colheita elevada no Brasil, já influencia preços e decisões de plantio na safrinha - Foto: Reprodução/Agência Brasil

Resumo IA | MSConecta Tudo que você precisa saber — de forma rápida.

A produção de soja no Paraguai para a safra 2025/2026 deve atingir níveis recordes, superando as previsões anteriores, mesmo com algumas perdas devido ao calor. A colheita já está avançada, e a produção total pode chegar a 11,8 milhões de toneladas. O aumento da oferta de grãos, aliado à colheita robusta no Brasil, pressiona os preços no mercado regional, resultando em uma queda significativa no basis de Assunção. Produtores agora enfrentam decisões sobre o plantio do segundo ciclo, considerando desafios climáticos e econômicos.

A produção de soja no Paraguai deve alcançar níveis recordes na safra 2025/2026, ampliando a oferta de grãos na América do Sul e provocando reflexos no mercado regional. A estimativa foi revisada para cima neste mês e ocorre justamente em um momento em que o Brasil também registra uma colheita robusta da oleaginosa.

O novo levantamento foi divulgado pela consultoria internacional StoneX, que acompanha o desempenho das principais commodities agrícolas no mercado global. Mesmo com perdas pontuais provocadas por calor intenso em algumas áreas, o volume total da safra paraguaia deve superar as previsões iniciais.

De acordo com o relatório, mais de noventa por cento da área cultivada já foi colhida nas regiões Sul e Norte da Região Oriental do Paraguai, que concentram a maior parte da produção agrícola do país.

Revisão da safra

A produção da safra principal foi revisada de 10,14 milhões para 10,41 milhões de toneladas, o que representa crescimento de 2,7 por cento em relação à estimativa divulgada em fevereiro.

Caso a soja do segundo ciclo agrícola alcance aproximadamente 1,39 milhão de toneladas, a produção total do ciclo 2025/2026 poderá chegar a cerca de 11,8 milhões de toneladas.

Segundo analistas, o desempenho positivo ocorreu mesmo com impactos climáticos registrados no final do ciclo produtivo. Nas últimas semanas de fevereiro, algumas regiões produtoras, principalmente no sul do país, enfrentaram temperaturas elevadas que reduziram o rendimento de parte das lavouras colhidas mais tardiamente.

Apesar desse cenário, o fluxo de grãos em direção aos portos permaneceu intenso até o fim da colheita. O comportamento chamou atenção do mercado, já que normalmente há desaceleração no envio de cargas neste período da safra.

Esse movimento indicou que o volume final de produção seria superior às estimativas iniciais, o que levou à revisão dos números divulgados pela consultoria.

Maior oferta pressiona preços

O aumento da produção no Paraguai ocorre simultaneamente à colheita de uma safra elevada no Brasil, ampliando a disponibilidade de soja no mercado sul-americano.

Com maior oferta de grãos, os preços passam a sofrer pressão, cenário que já começa a ser percebido em indicadores do mercado regional.

Um dos sinais desse movimento aparece no chamado basis de Assunção, indicador que mede a diferença entre o preço local da soja e a cotação internacional da commodity.

O índice registrou queda significativa nos últimos meses, passando de menos 24 dólares por tonelada em dezembro de 2025 para cerca de menos 65 dólares no início de março deste ano.

O avanço da comercialização da safra também contribui para esse cenário de maior disponibilidade de grãos. Até o momento, aproximadamente 48,2 por cento da produção paraguaia do ciclo 2025/2026 já foi negociada.

Entre os fatores que explicam esse ritmo mais acelerado de vendas estão limitações logísticas, falta de espaço para armazenamento e compromissos financeiros assumidos pelos produtores, que costumam se concentrar no fim do primeiro trimestre do ano.

Decisões sobre a safrinha

Com o avanço da colheita da soja, produtores paraguaios começam agora a definir as estratégias para o segundo ciclo agrícola.

Nesse período, agricultores precisam decidir entre plantar soja safrinha, milho ou trigo, culturas que competem pela mesma área de cultivo.

Atualmente, o milho apresenta maior presença nas regiões do norte do país, enquanto a soja safrinha é mais comum nas áreas do sul. O trigo continua predominante nas regiões mais frias do sul, embora também apresente expansão pontual em áreas centrais e do norte.

A escolha das culturas ocorre em um cenário de desafios climáticos e econômicos. A janela de plantio mais curta, o risco de geadas no sul e as condições mais secas e quentes no norte influenciam diretamente o planejamento agrícola.

Além disso, os custos mais elevados para o cultivo do milho também pesam na tomada de decisão dos produtores.

Diante desse conjunto de fatores, analistas indicam que a soja safrinha pode ganhar espaço em algumas regiões do Paraguai neste ciclo, enquanto o milho tende a manter uma área relativamente estável.

As condições climáticas ao longo do mês de março devem ser determinantes para definir a configuração final do segundo ciclo agrícola e o comportamento do mercado regional de grãos.