COP15 no Brasil debate proteção global de espécies migratórias em Campo Grande

Conferência reunirá governos, cientistas e sociedade civil para definir políticas de conservação de habitats e rotas migratórias

Por -Gabriela Porto
COP15 no Brasil debate proteção global de espécies migratórias em Campo Grande
A onça-pintada (Panthera onca) é um mamífero terrestre de grande porte que ocupa o topo da cadeia alimentar nos biomas brasileiros. - Foto: MMA / Reprodução
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A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS) ocorrerá em Campo Grande (MS) de 23 a 29 de março de 2026, marcando a primeira vez que o Brasil lidera o debate global sobre biodiversidade e conservação de fauna migratória. O evento contará com mais de 2 mil participantes, entre representantes de governos e cientistas, para discutir a proteção das espécies migratórias e suas rotas. A conferência visa definir políticas públicas e prioridades para a conservação, abordando desafios como a perda de habitats e a sobre-exploração. O tema será "Conectando a Natureza para Sustentar a Vida", enfatizando a importância das rotas migratórias.

A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS) será realizada em Campo Grande (MS), entre os dias 23 e 29 de março de 2026. Pela primeira vez, o Brasil estará no centro do debate global sobre a biodiversidade e a conservação da fauna migratória.

O encontro, organizado pelo Governo do Brasil e presidido pelo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, reunirá mais de 2 mil participantes, incluindo representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e sociedade civil. O objetivo é discutir soluções para a proteção das espécies migratórias, seus habitats e rotas de migração.

O que são espécies migratórias

Espécies migratórias se deslocam entre regiões ao longo do ano de forma cíclica e previsível, movendo-se por motivos como alimentação, reprodução ou busca por condições climáticas ideais. Entre elas estão mamíferos, aves, répteis, peixes e insetos.

A proteção desses animais depende da cooperação internacional, pois muitas populações atravessam fronteiras durante seu ciclo de vida. No âmbito da CMS, existem atualmente aproximadamente 1.189 espécies migratórias protegidas, das quais boa parte passa pelo território brasileiro.

Importância da conservação

As espécies migratórias têm papel fundamental nos ecossistemas, transportando nutrientes, auxiliando na polinização e dispersão de sementes, além de gerar benefícios econômicos e culturais, como o ecoturismo. Elas também funcionam como indicadores da saúde ambiental, alertando sobre alterações em habitats e ecossistemas.

No entanto, essas espécies enfrentam desafios graves: 75% são afetadas pela perda e fragmentação de habitat e 70% pela sobre-exploração, como pesca predatória, caça e coleta excessiva. A CMS classifica essas espécies em dois grupos: ameaçadas de extinção, que demandam medidas urgentes, e com estado de conservação desfavorável, que se beneficiam de ações coordenadas entre os países.

COP15 da CMS: objetivos e expectativas

A COP15 é a instância decisória máxima da CMS, reunindo as 133 partes signatárias para definir prioridades, orçamento e políticas públicas voltadas à conservação das espécies migratórias. Durante a conferência, serão analisados:

  • Atualizações dos Anexos I e II, que listam espécies ameaçadas e em estado desfavorável;
  • Relatórios e propostas de Ações Concertadas, coordenadas entre países;
  • Relatórios nacionais e documentos técnicos que subsidiam decisões;
  • Recomendações sobre acordos regionais e compromissos ministeriais.

A edição de 2026 tem como tema “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”, reforçando a necessidade de proteger não apenas os destinos, mas também as rotas migratórias e pontos de parada das espécies.

O Brasil, ao sediar a COP15, assume papel estratégico na liderança global da conservação de espécies migratórias, promovendo debates de alto nível, trocas internacionais e decisões que impactarão políticas ambientais nos próximos anos.


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