Uma pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em parceria com o governo estadual, desenvolveu uma nova estratégia para administração de medicamentos quimioterápicos, utilizando nanopartículas de sílica que garantem a entrega eficiente dos fármacos às células tumorais. Os testes mostraram uma inibição de até 99,6% do crescimento tumoral, com menos efeitos colaterais. O estudo incorporou ácido fólico para direcionar o tratamento, aproveitando a presença de receptores em células cancerígenas. Os resultados têm potencial para inovação no Sistema Único de Saúde e estratégias de transferência tecnológica.
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com apoio do Governo do Estado por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul, avançou na criação de uma nova estratégia para administração de medicamentos quimioterápicos.
O estudo propõe um sistema de transporte mais eficiente para os fármacos, desde a entrada no organismo até a chegada às células doentes. Em testes experimentais, a tecnologia alcançou até 99,6% de inibição do crescimento tumoral e reduziu em mais de 90% o peso dos tumores analisados.
O projeto foi selecionado na Chamada Especial Fundect/UFMS 23/2022, voltada à atração de recém-doutores para Mato Grosso do Sul, e também recebeu recursos do Programa Pesquisa para o SUS, iniciativa direcionada ao fortalecimento da pesquisa aplicada à saúde pública em parceria com o Ministério da Saúde.
A pesquisa utiliza nanopartículas de sílica, estruturas microscópicas que funcionam como veículos para os medicamentos. Elas conduzem o quimioterápico diretamente às células tumorais, o que permite manter a eficácia do tratamento com doses menores.
Segundo o professor Marcos Utrera Martines, responsável pelo estudo, o planejamento do tamanho e da estrutura das partículas garantiu a preservação da atividade anticâncer dos fármacos, com redução das concentrações necessárias.
Nos ensaios laboratoriais, as nanopartículas demonstraram alta capacidade de bloquear a multiplicação das células tumorais. Os resultados também indicaram seletividade elevada, com ação mais intensa sobre células cancerígenas do que sobre células saudáveis, fator que pode contribuir para diminuir efeitos colaterais associados à quimioterapia convencional.
Em etapa posterior, os pesquisadores analisaram o impacto da tecnologia no crescimento e no peso dos tumores. As formulações com citarabina e doxorrubicina apresentaram os melhores desempenhos, atingindo índices de inibição tumoral próximos a 100%.
O estudo também incorporou o ácido fólico como estratégia de direcionamento. Muitas células tumorais apresentam maior quantidade de receptores dessa substância, o que facilita a condução do medicamento até o local desejado.
De acordo com o professor, o ácido fólico atua como um marcador biológico que favorece a entrega seletiva do fármaco às células cancerígenas.
A pesquisa resultou em pedidos de patente e apresenta potencial de transferência tecnológica tanto para o setor produtivo quanto para o Sistema Único de Saúde, por meio de parcerias ou da criação de empresas de base tecnológica.
Para o diretor-presidente da Fundect, Cristiano Carvalho, o apoio a projetos dessa natureza fortalece a formação de pesquisadores e amplia as possibilidades de desenvolvimento de soluções com aplicação futura na rede pública de saúde.
A publicação integra o início da série Fundect: MS ama Ciência, que vai apresentar pesquisas financiadas pela fundação com potencial de impacto social e tecnológico no Estado.