Pantanal dispara e registra alta de 323% nas queimadas, apesar de queda nacional
Brasil reduziu em 36% a área queimada em janeiro, mas bioma sul-mato-grossense teve 38 mil hectares atingidos e ficou atrás apenas da Amazônia.
Foto: Divulgação
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Em janeiro de 2026, o Brasil registrou uma redução de 36% nas queimadas, totalizando 437 mil hectares. No entanto, o Pantanal apresentou um aumento alarmante de 323% nas queimadas, tornando-se o segundo bioma mais afetado, atrás da Amazônia. Enquanto o Cerrado teve uma leve queda de 8% nas áreas queimadas, a Mata Atlântica experimentou um aumento de 177%, vinculado principalmente a atividades agropecuárias. Esse cenário revela uma dinâmica regional complexa e destaca a importância de estratégias de combate adaptadas a cada bioma.
O Brasil começou 2026 com redução de 36% na área total atingida por queimadas em comparação com janeiro do ano passado. Foram 437 mil hectares queimados no primeiro mês do ano, segundo levantamento do MapBiomas.
Mas o cenário está longe de ser uniforme. Dados do Monitor do Fogo, plataforma vinculada à iniciativa, apontam que o Pantanal apresentou comportamento oposto ao restante do país.
Pantanal tem janeiro atípicoNo bioma, 38 mil hectares foram consumidos pelo fogo apenas em janeiro — aumento de 323% em relação ao mesmo período de 2025. O volume coloca o Pantanal como o segundo mais afetado do país no mês, atrás apenas da Amazônia.
Grande parte do território pantaneiro brasileiro está em Mato Grosso do Sul, o que amplia o impacto ambiental e econômico da alta nas queimadas no estado.
O dado preocupa especialmente porque janeiro integra o período chuvoso em boa parte do Centro-Oeste. Historicamente, os maiores picos de incêndio ocorrem durante a estação seca. O crescimento fora desse padrão reforça sinais de vulnerabilidade ambiental.
Cerrado tem leve recuoO Cerrado, outro bioma relevante para Mato Grosso do Sul, registrou 28,7 mil hectares queimados no país, uma redução de 8% frente a janeiro do ano anterior.
Apesar da leve queda, o Cerrado segue entre os três biomas mais afetados. A fragmentação da vegetação nativa e a expansão agropecuária tornam o ambiente mais suscetível à propagação do fogo e à perda de biodiversidade.
Mata Atlântica avançaJá a Mata Atlântica apresentou aumento expressivo de 177% na área queimada no mês. Segundo os dados, 95% das áreas atingidas no bioma estão associadas a usos agropecuários.
A pressão por abertura de áreas e manejo de pastagens continua sendo um dos principais vetores de ignição.
Limitações técnicasO monitoramento da área queimada depende de imagens de satélite. Durante o período chuvoso, a cobertura de nuvens pode dificultar a detecção de cicatrizes menores, o que exige cautela na leitura dos números.
Mesmo com essa limitação, os dados indicam que a dinâmica do fogo em 2026 apresenta contrastes regionais importantes e reforça a necessidade de estratégias específicas para cada bioma.