Em 2025, apesar do saldo positivo no mercado formal, setores como indústria, construção e comércio cortaram 34.297 postos de trabalho com exigência de ensino superior. O total de novas vagas foi de 1.279.448, uma queda de 23,7% em relação a 2024, com apenas 1,9% exigindo ensino superior. O aumento das taxas de juros impactou negativamente as contratações, especialmente a partir do segundo semestre, culminando em um fechamento líquido de 618.164 vagas em dezembro. Para 2026, espera-se uma desaceleração ainda maior na geração de empregos, influenciada pela incerteza econômica e política.
Mesmo com o mercado formal ainda registrando saldo positivo em 2025, setores estratégicos da economia começaram a cortar postos de trabalho mais qualificados. Indústria, construção e comércio eliminaram juntos 34.297 vagas com exigência de ensino superior completo ao longo do ano.
Os dados são de um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), com base nos microdados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho.
Em 2025, o mercado formal criou 1.279.448 postos com carteira assinada. O número representa 398 mil vagas a menos que em 2024, uma queda de 23,7%.
Do total de novas vagas, apenas 24.513 (1,9%) exigiam ensino superior completo. Ainda assim, o saldo agregado desses trabalhadores só não foi negativo devido à absorção pelo setor de serviços, que contratou 58.300 profissionais com nível superior, e pela agricultura, com 509 admissões líquidas.
Na indústria, o saldo foi negativo em 13.686 vagas. Na construção, 8.179 postos foram eliminados. No comércio, a redução chegou a 12.432 vagas.
Segundo as pesquisadoras Janaína Feijó e Helena Zahar, responsáveis pelo estudo, o cenário de juros elevados começou a impactar de forma mais evidente o mercado de trabalho a partir do segundo semestre.
“A manutenção de uma taxa de juros elevada por muito tempo teria rebatimento no mercado de trabalho. A partir de junho esse impacto foi se consolidando”, afirmou Feijó.
Desde agosto, a geração de empregos vinha perdendo ritmo. No último trimestre, o enfraquecimento se consolidou.
Em dezembro, o mercado formal registrou o pior saldo para o mês na série histórica do Novo Caged: fechamento líquido de 618.164 vagas, desempenho 11,3% inferior ao registrado em dezembro de 2024.
Embora a população ocupada siga em patamar recorde, especialistas avaliam que a qualidade dos postos de trabalho ainda é um desafio.
O Brasil mantém taxa de informalidade superior a 38%, o que limita a arrecadação tributária e reduz a proteção social dos trabalhadores.
Além dos juros, pesam no cenário os elevados encargos trabalhistas e as expectativas empresariais diante de um ambiente econômico considerado desfavorável.
“Se os empresários percebem um ambiente de incerteza, tendem a postergar a contratação de profissionais mais especializados”, destacou Feijó.
Para 2026, o estudo projeta desaceleração adicional na geração de empregos formais, diante da manutenção dos juros em patamares elevados e da incerteza associada ao calendário eleitoral.
A expectativa é de que decisões de investimento e contratação sejam adiadas até que haja maior clareza sobre o cenário político e econômico.
Especialistas defendem que a recuperação do fôlego no emprego formal depende da redução da taxa básica de juros e de melhorias estruturais no ambiente de negócios.