Ponte da Rota Bioceânica avança e tem conexão prevista para maio

Corredor pode reduzir em até 23% o tempo de transporte até a Ásia

Gabriela Porto
20/02/2026 15h11 - Atualizado há 1 semana
Ponte da Rota Bioceânica avança e tem conexão prevista para maio
Ponte Internacional da Rota Bioceânica entra na fase final com “beijo” entre os lados. - Foto: Saul Schramm/Secom MS
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A construção da ponte internacional da Rota Bioceânica, que liga Porto Murtinho (Brasil) a Carmelo Peralta (Paraguai), está em sua fase final, com apenas 101 metros restantes para a conexão do vão central. Com 1.294 metros de extensão, a ponte é essencial para o corredor rodoviário que conecta o Centro-Oeste do Brasil aos portos do norte do Chile.

Após a união das estruturas, serão realizados testes e instalações de tecnologia para monitoramento em tempo real. A entrega total da ponte está prevista para agosto de 2026, o que deverá reduzir significativamente a rota marítima das exportações brasileiras para a Ásia, aumentando a eficiência logística do Mercosul.

A construção da ponte internacional da Rota Bioceânica entrou na etapa mais simbólica e estratégica da obra. Faltam cerca de 101 metros para que as estruturas erguidas a partir do município de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e de Carmelo Peralta, no Paraguai, se encontrem no ponto central do vão. Com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, a travessia é considerada peça-chave do corredor rodoviário que pretende conectar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile, no Pacífico.

Cerca de 280 trabalhadores atuam diretamente na obra, entre engenheiros, técnicos e operários dos dois países. A expectativa é de que, após o chamado “beijo” estrutural, os trabalhos avancem para as etapas de reforço, acabamento e implementação de sistemas de monitoramento. Será um teste importante para a engenharia.

Monitoramento em tempo real e tecnologia estrutural

Superada essa fase, ainda serão executados serviços complementares, como a instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto armado do piso da ponte, que farão a ligação estrutural entre os lados brasileiro e paraguaio, o retensionamento dos 168 estais que sustentam o vão central e a instalação de 168 amortecedores nesses cabos. Os dois pilares principais e os estais receberão sensores eletrônicos capazes de monitorar cargas e vibrações, enviando dados a sistemas de controle que acompanham o comportamento estrutural da ponte em tempo real, inclusive durante a passagem de veículos ou diante de eventuais anomalias.

Outros serviços previstos incluem a instalação de iluminação fluvial, garantindo a navegação segura de embarcações no Rio Paraguai, além do acabamento do piso da ponte e da colocação de grades de proteção para pedestres e ciclistas, já que a estrutura contará com ciclovia. Posteriormente, serão realizados asfaltamento, pintura, sinalização viária e iluminação ornamental. A entrega completa da ponte está prevista para agosto de 2026.

A estrutura estaiada é considerada estratégica para consolidar o Corredor Rodoviário de Capricórnio, conhecido como Rota Bioceânica, ligando os portos do norte do Chile, em Antofagasta e Iquique, passando pelo Paraguai e pela Argentina, até os portos brasileiros, como o de Porto Murtinho, e, futuramente, outros na costa atlântica.

O Corredor Bioceânico deverá reduzir em mais de 9,7 mil quilômetros a rota marítima das exportações brasileiras, principalmente aquelas originárias do Sudeste e do Centro-Oeste, com destino à Ásia. Em viagens para a China, a estimativa é de redução de até 23% no tempo de transporte, o equivalente a 12 a 17 dias a menos.

Impacto Econômico e Logístico

Além da ponte e de seus acessos, está prevista a construção de infraestruturas alfandegárias integradas em ambos os lados da fronteira. Segundo a Receita Federal, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia, podendo aumentar à medida que a Rota se consolide como alternativa logística de exportação e importação para o Mercosul e a Ásia.

 


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