Indústria percorre o mundo para compensar perdas com tarifaço dos EUA

Exportadores de móveis e calçados ampliam presença em feiras e missões internacionais após tarifas de até 50% no mercado americano

- Redação MSConecta
14/02/2026 13h33 - Atualizado há 3 semanas
Indústria percorre o mundo para compensar perdas com tarifaço dos EUA
Tarifaço americano fez com que industriais brasileiros assumissem o papel de caixeiros-viajantes. - Foto: Reprodução / Divulgação Eduardo Laguna / Broadcast
Resumo IA | MSConecta Tudo que você precisa saber — de forma rápida.
Ver agora

O tarifaço americano forçou indústrias brasileiras a buscar novos mercados, já que tarifas de até 50% impactaram as exportações para os EUA. O setor moveleiro, que tem 20% de suas vendas destinadas a esse mercado, está diversificando suas exportações para regiões como Oriente Médio e América Central, além de participar de feiras internacionais. A ApexBrasil apoia mais de 130 exportadores na busca por alternativas, enquanto marcas como Havaianas ampliam sua presença global. Apesar de ações promocionais, as exportações para os EUA apresentaram leve queda em 2025.

O tarifaço americano fez com que industriais brasileiros assumissem o papel de caixeiros-viajantes, em busca de compradores para os produtos que deixaram de ser vendidos aos Estados Unidos. Diversificar passou a ser a ordem do dia para os exportadores que passaram a pagar tarifas de até 50% no mercado que mais consome seus produtos no exterior. Participar de feiras e missões internacionais, assim como visitar potenciais clientes em diferentes regiões do mundo, tornou-se rotina.

A indústria de móveis, que tem nos Estados Unidos o destino de 20% das exportações, tem buscado entrar em mercados do Oriente Médio, Índia, Coreia do Sul, América Central e Canadá, além dos vizinhos na América do Sul. Mais de 130 exportadores têm acesso a informações de inteligência comercial, feiras e missões internacionais dentro do projeto Brazilian Furniture, iniciativa apoiada pela ApexBrasil.

Especialistas do setor afirmam que diversos mercados estão sendo analisados como alternativas estratégicas. O Brasil também ampliará sua presença no Salone del Mobile di Milano, principal evento internacional de móveis e design, marcado para abril, na Itália. Além da prospecção de novos destinos, fabricantes estudam a concorrência internacional, inclusive com missões técnicas à Ásia.

Com exceção de armários de cozinha (25%) e estofados com estrutura interna de madeira (30%), como sofás e poltronas, os demais móveis pagam 50% em tarifas nos Estados Unidos.

A alíquota máxima também é imposta desde agosto aos calçados brasileiros, que, assim como o setor moveleiro, têm nos Estados Unidos seu principal mercado externo. Embarques a outros destinos, como Espanha, Paraguai e Equador, ajudaram a amortecer o impacto do tarifaço, porém a preços médios inferiores aos praticados no mercado americano.

Dados do setor indicam que as exportações para os Estados Unidos, que vinham crescendo antes da imposição das tarifas, encerraram 2025 com leve retração em volume. Parte das vendas ao mercado americano é composta por produtos “private label”, desenvolvidos sob encomenda de importadores, o que limita sua redirecionamento a outros países.

Por outro lado, marcas brasileiras, como a Havaianas, podem ampliar presença em diferentes mercados. O setor tem intensificado ações de promoção comercial, como feiras e rodadas de negócios no exterior, também apoiadas pela ApexBrasil, que no último ano geraram centenas de milhões de reais em vendas externas.


FONTE: Eduardo Laguna / Broadcast
Tags »
Notícias Relacionadas »