O setor florestal em Mato Grosso do Sul tem crescido rapidamente, solidificando o estado como um dos principais polos de produção de celulose do Brasil. No entanto, a escassez de mão de obra qualificada, agravada pela baixa densidade populacional, ameaça esse crescimento. A qualidade de vida e a infraestrutura insuficiente em municípios em expansão complicam a atração de trabalhadores. Para enfrentar essa situação, empresas investem em formação e melhorias nas condições de trabalho, além de debater o tema na Mais Floresta ExpoRibas 2026.
O avanço do setor florestal em Mato Grosso do Sul fortaleceu a posição do estado como um dos principais polos de produção de celulose do país. Novos investimentos, ampliação de áreas plantadas e tecnologia embarcada impulsionaram a produtividade e atraíram bilhões em aportes. Mas, junto com o crescimento, surgiu um gargalo que ameaça o ritmo de expansão: a escassez de mão de obra.
O cenário mudou rapidamente nos últimos anos. A entrada de novas indústrias elevou a demanda por trabalhadores técnicos, operadores de máquinas e especialistas. Ao mesmo tempo, a baixa densidade populacional do estado limitou a oferta disponível.
Entre as empresas que enfrentam esse desafio está a Eldorado Brasil. Para o diretor florestal da companhia, Germano Vieira, o problema vai além de preencher vagas.
“É preciso criar condições para que o profissional queira permanecer”, afirma.
Municípios estratégicos como Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Inocência e Selvíria passaram a conviver com crescimento acelerado da atividade industrial. No entanto, moradia, escolas e atendimento de saúde ainda não acompanham o ritmo da expansão.
Mesmo polos mais estruturados, como Três Lagoas, enfrentam pressão sobre serviços públicos e mercado imobiliário.
A equação é delicada: há emprego disponível, mas a decisão de mudar envolve qualidade de vida, oportunidades para a família e infraestrutura urbana.
A transformação também é comportamental. O trabalhador atual valoriza conforto, propósito e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Empresas responderam com transporte equipado com internet, uniformes mais leves, alimentação personalizada e alojamentos reformulados, agora planejados para oferecer mais privacidade e descanso.
A mecanização ampliada reduziu o desgaste físico. Operadores atuam em cabines climatizadas, com tecnologia embarcada, elevando o padrão de trabalho no campo.
Diante da escassez de profissionais prontos, o setor investe na capacitação contínua. Trilhas de carreira digitais permitem que o colaborador visualize caminhos de crescimento e se qualifique para novas funções.
A articulação com instituições como Senar, Sebrae e Senai reforça a conexão entre empresas e formação técnica.
A falta de mão de obra será tema central da Mais Floresta ExpoRibas 2026, marcada para março, em Ribas do Rio Pardo.
Idealizada por Paulo Cardoso, à frente da Paulo Cardoso Comunicações, a feira deve reunir empresas e especialistas para discutir soluções práticas.
Mais do que tecnologia, o futuro do setor passa pela capacidade de atrair, qualificar e reter pessoas.