Etanol lidera alta dos combustíveis em Campo Grande e pesa no bolso do consumidor

Mesmo com reajustes ligados ao ICMS na gasolina e no diesel, o etanol registra a maior elevação de preço na capital

- Redação MSConecta
01/02/2026 14h30 - Atualizado há 1 mês
Etanol lidera alta dos combustíveis em Campo Grande e pesa no bolso do consumidor
Aumento no preço do etanol ultrapassa alta na gasolina e disel. — Foto: Divulgação
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Em Campo Grande, o etanol teve um aumento significativo de mais de 8% nas bombas, passando de R$ 3,96 para até R$ 4,29, superando os reajustes da gasolina e do diesel. Esse aumento é atribuído à entressafra de cana-de-açúcar, que reduz a oferta do biocombustível. Enquanto a gasolina e o diesel sofreram impactos por mudanças no ICMS, o preço do etanol subiu mais devido a fatores estruturais do mercado. O preço médio da gasolina é de R$ 5,77 e do diesel, R$ 5,90, enquanto o etanol se apresenta a R$ 4,13. Os consumidores devem estar atentos às variações de preços até a próxima safra.

O preço dos combustíveis voltou ao centro das atenções em Campo Grande neste início de ano, mas não foi a gasolina nem o diesel que lideraram as altas. O etanol registrou o aumento mais expressivo nas bombas, superando a variação dos demais combustíveis mesmo em um contexto de reajustes tributários ligados ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o litro do etanol na capital passou de R$ 3,96 para até R$ 4,29 ao longo de janeiro. A variação representa uma alta superior a 8%, percentual significativamente acima das oscilações observadas na gasolina comum e no diesel no mesmo período.

Etanol sobe mais que gasolina e diesel

Enquanto a gasolina apresentou leve retração no preço médio e o diesel registrou variação discreta, o etanol avançou de forma mais intensa. O comportamento surpreende parte dos consumidores, especialmente aqueles que utilizam veículos flex e costumam optar pelo biocombustível como alternativa econômica.

Especialistas do setor apontam que o movimento não está relacionado diretamente à política tributária estadual, mas sim a fatores estruturais do mercado sucroenergético. O início do ano coincide com o período de entressafra, quando a produção de etanol é naturalmente menor, reduzindo a oferta disponível para distribuição.

Entressafra pressiona preços nas usinas

Com a menor moagem de cana-de-açúcar, as usinas operam com estoques mais restritos, o que impacta diretamente o valor repassado ao mercado. A retomada da demanda após as festas de fim de ano também contribuiu para um ambiente de maior pressão sobre os preços.

Representantes do setor de combustíveis destacam que, nesse cenário, qualquer aumento na procura tende a gerar ajustes mais rápidos no etanol do que nos combustíveis fósseis, que contam com cadeias de suprimento mais estáveis e previsíveis.

ICMS afeta outros combustíveis, mas não explica tudo

No caso da gasolina e do diesel, os reajustes recentes têm relação direta com mudanças no ICMS, aprovadas ainda no segundo semestre do ano passado. O imposto, que incide de forma uniforme por litro, elevou os custos ao longo da cadeia e foi parcialmente repassado ao consumidor final.

Ainda assim, os números mostram que o impacto tributário não foi suficiente para provocar altas superiores às do etanol, que respondeu principalmente a fatores de oferta e mercado.

Preços médios na capital

Levantamento mais recente da ANP aponta que a gasolina comum apresenta preço médio em torno de R$ 5,77 em Campo Grande, com variações entre R$ 5,69 e R$ 6,08 nos postos. O diesel, por sua vez, tem média de R$ 5,90, podendo chegar a R$ 6,11 em alguns estabelecimentos.

Já o etanol registra preço médio de R$ 4,13, com valores que variam de R$ 3,96 a R$ 4,29, consolidando-se como o combustível com maior oscilação no mês.

Impacto no consumidor e perspectiva

Para o consumidor, a alta do etanol reduz a vantagem econômica frente à gasolina, especialmente quando a relação de preço ultrapassa o patamar considerado ideal para compensar o menor rendimento do biocombustível.

A expectativa do setor é que os preços do etanol permaneçam pressionados até o avanço da próxima safra, quando a oferta tende a se normalizar. Até lá, motoristas devem continuar atentos às variações semanais e à relação custo-benefício na hora de abastecer.


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