Carbono neutro: Estudo que pode salvar o agro no Brasil
Iniciativa busca soluções para uma produção agro mais sustentável
A agropecuária é um dos setores que mais movimentam a economia do país. Em 2021, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) atingiu R$ 1,129 trilhão. De acordo com levantamento da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), as lavouras somam R$ 768,4 bilhões e a pecuária contribui com R$ 360,8 bilhões. Ainda assim, um dos maiores desafios do setor é produzir alimentos, sem contribuir com a degradação ambiental e suas consequências para o planeta.
Nesse cenário, além da busca para diminuir o impacto em solos e áreas de cultivo, a tendência do agro é seguir pelo caminho da sustentabilidade, principalmente com relação à emissão de carbono. Embora a atividade agropecuária, em tese, sequestre o carbono, sistemas produtivos não sustentáveis podem contribuir para o aumento das emissões.
Pensando nisso, a Pós-graduação em Produção e Gestão Agroindustrial da Uniderp, se uniu à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para propor a inclusão de um projeto ao edital da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).
No projeto, a instituição de ensino avaliará um experimento conduzido na Embrapa Gado de Corte, que desde 1994 analisa os diferentes sistemas de produção agropecuários do cerrado brasileiro. O professor e coordenador do trabalho, Eduardo Aguiar, explica que a Uniderp fará um estudo de dois anos na Embrapa, observando e comparando os sistemas produtivos e seus impactos. “Conversando com o Dr. Alexandre, que é o coordenador desse projeto na Embrapa, sugerimos avaliações com um enfoque mais atual nesse projeto, relacionadas ao sequestro e fixação de carbono, avaliações da diversidade biológica dos solos, objetivos também alinhados ao edital”.
Com isso, a proposta aprovada no edital do governo no final de 2021, pretende apontar os efeitos de longo prazo de cada técnica de cultivo e indicar os sistemas de produção mais sustentáveis em termos de emissão de carbono, buscando os que apresentarem dados neutros ou negativos. “O experimento de longa duração da Embrapa contempla os principais sistemas de produção do cerrado brasileiro. Vamos olhar para eles e analisar tanto a emissão e sequestro de carbono com base na agricultura moderna, quanto na agricultura biológica, etc”, explica Eduardo.
O professor e colaborador do projeto, José Bono, explica que além dos diferentes sistemas de uso e manejo do solo, a área também possui um espaço de floresta nativa que nunca foi alterada, podendo assim servir como referência para avaliação ecológica dos sistemas. “São quase 30 hectares de experimentação e cada parcela tem um sistema de produção sendo conduzido. Temos o efeito desse sistema de produção ao longo do tempo e por meio dos resultados de cada um, vamos comparar e ver qual dos 12 sistemas de produção são mais sustentáveis - os que sequestram mais carbono, que emitem menos carbono, assim por diante”.
Segundo os professores, os resultados da pesquisa impactarão não só os sistemas de produção do estado, como também em nível nacional e internacional. “É uma abrangência do cerrado e um olhar mundial, porque o mundo está procurando preservar o meio ambiente”.
Entre os pontos de estudo, serão acompanhados, além do carbono, a atividade biológica e os componentes físicos e químicos do solo, como também serão feitas avaliações remotas por imagens de drone.
Nesse contexto, os resultados podem também auxiliar a produção agropecuária, pois, entendendo qual modelo é mais sustentável, o projeto pode ser fomentado por meio de políticas públicas de incentivo, geração de créditos de carbono e até receber maior valor por sua produção em mercados internacionais.
O edital tem duração de dois anos e a previsão para a coleta dos primeiros dados é início de 2023. A divulgação será feita à comunidade científica por meio de publicações em periódicos da área.
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