Sorgo dispara na safrinha de MS com impulso das usinas de etanol

Em cinco anos, área cultivada saltou de 5 mil para quase 400 mil hectares, com contratos e demanda crescente

Por -Redação MSConecta

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O sorgo passou a ser uma cultura estratégica na safrinha de Mato Grosso do Sul, com áreas cultivadas crescendo de 5 mil para 400 mil hectares em cinco anos. Essa expansão, impulsionada pela demanda das usinas de etanol de milho e pela resiliência da planta a intempéries, trouxe previsibilidade e segurança econômica para os agricultores. A cultura se concentra principalmente em dez municípios, com Ponta Porã e Maracaju liderando. O Brasil deve atingir mais de 6,6 milhões de toneladas de sorgo até a safra 2025/2026, consolidando a importância dessa cultura para a agricultura local e para a sustentabilidade do estado.

O sorgo deixou de ser apenas uma alternativa para tempos difíceis e passou a ocupar espaço planejado na safrinha de Mato Grosso do Sul. O foco do produtor rural agora é previsibilidade e redução de riscos, ao incluir a cultura de forma estratégica em seu planejamento.

Segundo dados do SIGA, ferramenta gerida pelo Governo do Estado em parceria com a Aprosoja, em cinco safras a área cultivada saltou de pouco mais de 5 mil hectares para cerca de 400 mil hectares, um crescimento superior a 7.700%.

Crescimento acelerado em cinco anos

O salto mais significativo começou na safra 2021/2022, quando o sorgo passou a ocupar áreas maiores. Após ajustes naturais, a cultura ganhou ainda mais força na safra 2024/2025, praticamente dobrando de tamanho em relação à anterior.

O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, ressalta que a expansão é resultado de estratégia e demanda de mercado, principalmente pelas usinas de etanol de milho instaladas no estado.

O papel das usinas de etanol

Antes, a expansão do sorgo era limitada pela ausência de demanda estruturada. Com contratos firmados pelas indústrias, os produtores passaram a ter previsibilidade, escala e segurança econômica, tornando a cultura uma escolha estratégica.

Segundo o secretário-executivo da Semadesc, Rogério Beretta, o sorgo se mostra mais resistente a intempéries e problemas sanitários, especialmente em áreas consideradas marginais para o milho, permitindo ao produtor reduzir riscos e perdas financeiras.

Onde o sorgo mais avançou em MS

A expansão da cultura não foi uniforme. Cerca de metade da área de segunda safra se concentra em dez municípios, com Ponta Porã e Maracaju liderando, seguidos por Bonito, Bela Vista e Sidrolândia.

O plantio estratégico permite que o sorgo compense limitações do milho, seja por janelas curtas após a soja ou risco climático elevado, fortalecendo o planejamento da safrinha e a estabilidade financeira do produtor.

Tendência nacional reforça expansão

O Brasil deve produzir mais de 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, com Mato Grosso do Sul ocupando a quarta posição entre os maiores produtores, de acordo com a Conab. O SIGA detalha com precisão o avanço e a distribuição da cultura dentro do estado.

Impacto para produtores e o Estado

Para o governo estadual, o crescimento do sorgo mostra que mercado, contratos e visão de longo prazo reduzem riscos e consolidam o desenvolvimento. As usinas de etanol de milho atuam como peça estratégica, integrando produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade, fortalecendo cadeias locais e ampliando o uso eficiente do solo em Mato Grosso do Sul.