Inpe aponta aumento do desmatamento no Pantanal e queda na maioria dos biomas

Relatório do Prodes mostra alta de 16,5% no Pantanal e redução em Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa

Por -Redação

Trecho da estrada Parque Pantanal - Foto: reprodução redes sociais

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou relatório consolidado com os dados do Prodes 2024, mostrando que o Pantanal e a Caatinga foram os únicos biomas brasileiros a registrar aumento na supressão de vegetação nativa em comparação ao ano anterior. O Pantanal apresentou alta de 16,5%, enquanto a Caatinga teve crescimento de 9,93%.

O aumento no Pantanal preocupa especialistas, já que o bioma possui biodiversidade única e relevância hídrica, sendo importante para a manutenção de ecossistemas aquáticos e terrestres, além de atividades econômicas locais como pesca, turismo ecológico e pecuária sustentável.

Redução nos demais biomas
Os demais biomas registraram queda no desmatamento, segundo os dados consolidados do Prodes:

  • Amazônia: 28,09%
  • Área não florestal na Amazônia: 5,27%
  • Cerrado: 25,76%
  • Mata Atlântica: 37,89%
  • Pampa: 20,08%

O Inpe define supressão como a remoção de vegetação nativa, independentemente do tipo de cobertura ou da futura utilização da área. As análises combinam detecção automática por satélite com interpretação visual das imagens, garantindo precisão na identificação das áreas desmatadas.

Metodologia de monitoramento do Prodes
O Prodes realiza o mapeamento anual da supressão de vegetação nativa em todos os biomas brasileiros. O sistema identifica alterações na cobertura vegetal a partir de imagens de satélite e classifica automaticamente áreas com mudanças significativas. Em seguida, técnicos do Inpe realizam validação visual, eliminando possíveis erros de classificação.

Essa metodologia permite acompanhar tendências de médio e longo prazo, servindo como base para políticas públicas, fiscalização ambiental e estratégias de preservação.

Políticas públicas e regulação
A vice-coordenadora do Programa BiomasBR, Silvana Amaral, destacou que a redução do desmatamento na maioria dos biomas indica a atuação de políticas de comando e controle, além de acordos e termos de conduta entre sociedade civil e setores do comércio e exportação de produtos agropecuários.

“Os dados do Prodes mostram onde o desmatamento ocorre e permitem planejar ações preventivas em regiões vulneráveis”, afirmou Amaral. Ela ressaltou que a preservação ambiental deve caminhar lado a lado com produção sustentável, garantindo equilíbrio entre economia e conservação.

Panorama geral e tendências
Embora o Pantanal e a Caatinga apresentem aumento no desmatamento, a maioria dos biomas registrou queda na supressão de vegetação nativa. O levantamento permite identificar padrões regionais e nacionais, subsidiando decisões de governo e setores privados, além de orientar ações de educação ambiental e mobilização social.