Com escassez de combustível, bolivianos cruzam fronteira e formam filas em postos de Corumbá

Fim de subsídios na Bolívia elevou preços da gasolina e do diesel, levando motoristas a buscar abastecimento no Brasil

Por -Gabriela Porto
Com escassez de combustível, bolivianos cruzam fronteira e formam filas em postos de Corumbá
Foto: Agência Brasil
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A escassez de combustível e o aumento de preços na Bolívia levaram motoristas bolivianos a abastecer em Corumbá, MS, onde a demanda cresceu até 30% em alguns postos. A crise surgiu após um decreto que eliminou subsídios, aumentando em até 160% os preços do diesel e da gasolina. Apesar dos preços mais altos no Brasil, a rapidez no atendimento atrai consumidores, enquanto o comércio local se beneficia do aumento nas vendas. Especialistas vinculam a crise à queda na produção de gás natural e à diminuição das reservas internacionais da Bolívia.

A falta de combustível e o aumento expressivo dos preços na Bolívia têm levado motoristas do país vizinho a atravessar a fronteira para abastecer veículos em Corumbá, no oeste de Mato Grosso do Sul. A movimentação nos postos brasileiros se intensificou nas últimas semanas, impulsionada pela escassez do produto e pelas longas filas enfrentadas em cidades bolivianas.

De acordo com comerciantes locais, a procura por combustível por cidadãos bolivianos cresceu de forma significativa. Em um dos postos de Corumbá, a demanda aumentou cerca de 30%. Em outro estabelecimento, as vendas quase dobraram, passando de três a quatro mil litros por dia para até sete mil litros em um intervalo de apenas 15 dias.

A mudança no comportamento dos consumidores ocorre após um decreto do governo boliviano que encerrou subsídios mantidos há mais de duas décadas. A medida provocou aumento de aproximadamente 86% no preço da gasolina e de mais de 160% no diesel, impactando diretamente o custo de vida e a mobilidade no país.

Além dos preços elevados, motoristas relatam dificuldades frequentes para encontrar combustível disponível, com filas extensas e abastecimento irregular. Em Corumbá, mesmo com o litro da gasolina custando em média R$ 6,80, acima do valor praticado na Bolívia, equivalente a cerca de R$ 5,60, a vantagem está na rapidez do atendimento e na garantia de encontrar o produto.

“Já tem umas duas semanas que percebemos um aumento forte no movimento. Para nós e para o comércio de Corumbá isso é positivo, porque gera mais vendas e até a necessidade de contratar mais funcionários”, afirma Esdras Ayard Melgar, gerente de pista de um posto da cidade.

Motoristas bolivianos confirmam que a travessia da fronteira tem compensado, mesmo com o preço mais alto.

“Chegamos aqui e conseguimos abastecer rapidamente, sem enfrentar filas”, relatou a turista boliviana Geraldine Greco, em declaração traduzida do espanhol.

Especialistas apontam que a crise no abastecimento da Bolívia também está relacionada à queda na produção de gás natural e à redução das reservas internacionais do país, fatores que vêm pressionando a economia e afetando diretamente o fornecimento de combustíveis.

Enquanto o cenário no país vizinho segue instável, Corumbá passa a sentir os reflexos dessa movimentação fronteiriça, com aumento no fluxo de veículos, impacto positivo no comércio local e maior atenção das autoridades para garantir o abastecimento e a organização nos postos da cidade.


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