Iniciativa une qualificação, cultura e cidadania para indígenas custodiados em Amambai

Programa Teko Porã oferece cursos profissionalizantes, apoio psicológico e orientação jurídica dentro do sistema prisional

Por -Gabriela Porto
Iniciativa une qualificação, cultura e cidadania para indígenas custodiados em Amambai
Foto: Comunicação Agepen
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A educação respeitando a cultura indígena tem sido eficaz na ressocialização de índios presos em Mato Grosso do Sul, por meio do Programa Teko Porã – Semeando Liberdade, desenvolvido pelo IFMS e o Ministério dos Povos Indígenas. O projeto foca em qualificação profissional e apoio emocional, culminando na certificação de cursos como cabeleireiro e horta comunitária. As ações incluem acompanhamento psicológico e jurídico, além de cursos contínuos em marcenaria e informática, visando preparar os participantes para uma reintegração social autônoma.

A educação aliada ao respeito cultural tem se mostrado um caminho efetivo para a ressocialização de indígenas privados de liberdade em Mato Grosso do Sul. No Estabelecimento Penal de Amambai, o Programa Teko Porã – Semeando Liberdade vem promovendo uma série de ações voltadas à qualificação profissional, fortalecimento emocional e garantia de direitos, com foco na preparação para a vida fora do sistema prisional.

A iniciativa é desenvolvida pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e pelo Ministério dos Povos Indígenas, em parceria com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen). O projeto integra formação técnica, valorização da identidade indígena e acompanhamento social, contribuindo tanto para a remição de pena quanto para a construção de autonomia e novas perspectivas de futuro.

Formação e novos caminhos

Entre as ações já concluídas estão os cursos de cabeleireiro/barbeiro e de horta comunitária, que certificaram oito indígenas que permanecem custodiados na unidade. Outros sete participantes também passaram pelas capacitações e, posteriormente, conquistaram a liberdade.

Além dessas formações, o projeto mantém cursos em andamento nas áreas de marcenaria, informática e horticultura. Para 2026, estão previstas capacitações voltadas à prevenção da violência doméstica e ao enfrentamento do uso abusivo de álcool, ampliando o alcance social e educativo do programa.

Certificação e reconhecimento institucional

A entrega dos certificados ocorreu na semana passada, dentro do próprio presídio, com a presença de representantes de instituições parceiras e autoridades locais. Participaram da solenidade o pró-reitor de Desenvolvimento Institucional do IFMS e coordenador do programa, Fernando Silveira Alves, além de representantes do Ministério dos Povos Indígenas, do Ministério Público, do Legislativo municipal e de órgãos ligados à execução penal.

Para o diretor do Estabelecimento Penal de Amambai, Alexandre Ferreira de Souza, a proposta vai além da capacitação técnica. “Trabalhar a qualificação profissional dentro do sistema prisional, respeitando a cultura indígena, significa oferecer possibilidades reais de reinserção social”, destacou.

Respeito à cultura e acompanhamento integral

As atividades formativas contam com acompanhamento de facilitadores indígenas e tradutores de Língua Guarani Kaiowá, assegurando que o processo educacional dialogue com a identidade cultural dos participantes.

O projeto também inclui apoio psicológico, com rodas de conversa e atividades reflexivas conduzidas por profissionais da unidade penal e do IFMS, abordando temas como vínculos familiares, responsabilidade e projetos de vida. O atendimento jurídico complementa as ações, com orientações individuais, análise da situação processual e apoio na regularização de documentos civis.

Capacitação voltada à autonomia

O curso de Horta Comunitária, com carga horária de 40 horas, abordou técnicas de cultivo, adubação, produção de mudas, manejo agroecológico, plantas medicinais, hidroponia e hortas verticais. Já a formação em cabeleireiro e barbeiro trabalhou fundamentos de corte, cuidados com barba, higiene, biossegurança e atendimento ao público.

As qualificações oferecem conhecimentos aplicáveis tanto em iniciativas comunitárias quanto no mercado de trabalho, ampliando as chances de geração de renda e fortalecendo a autonomia dos participantes após o cumprimento da pena.


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