Sindicato descumpre ordem do TRT e mantém greve do transporte em Campo Grande
Paralisação chega ao quarto dia mesmo após decisão judicial que determinou circulação mínima de 70% da frota
Foto: Divulgação
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O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano continua em greve em Campo Grande, descumprindo a ordem do Tribunal Regional do Trabalho para retomar 70% da frota. O movimento começou devido a salários e benefícios atrasados, com a dívida total estimada em R$ 1,3 milhão. O TRT impôs multas progressivas ao sindicato, que já somam R$ 520 mil, e o Tribunal de Justiça determinou intervenção no contrato do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte. A greve impacta diretamente a rotina da população, com mais de 100 mil usuários afetados diariamente.
O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano descumpriu a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e manteve a greve do transporte coletivo de Campo Grande pelo quarto dia consecutivo. Mesmo após determinação judicial para que ao menos 70% da frota voltasse a operar, os ônibus seguem completamente paralisados na Capital.
A greve teve início na última segunda-feira, após os motoristas reivindicarem o pagamento de salários, benefícios e do 13º salário em atraso. O sindicato informou que os trabalhadores só retornarão às atividades após a quitação integral dos valores devidos. Segundo os próprios trabalhadores e o Consórcio Guaicurus, ainda faltam cerca de R$ 1,3 milhão para o pagamento da folha salarial de dezembro.
Diante do descumprimento da decisão judicial, o TRT aplicou multas progressivas ao sindicato, que já somam até R$ 520 mil. O valor inclui penalidades diárias aplicadas desde o primeiro dia da paralisação, que variaram entre R$ 20 mil, R$ 100 mil e R$ 200 mil.
Desde o início da greve, a paralisação total do transporte coletivo tem provocado impactos diretos na rotina da população, do comércio e de diversos setores econômicos da cidade. Empresários relatam dificuldades operacionais e prejuízos financeiros, enquanto trabalhadores e estudantes enfrentam longos deslocamentos a pé ou dependem de alternativas improvisadas de transporte.
Justiça determina intervenção no transporte
Na quarta-feira, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou a intervenção no contrato do Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do transporte coletivo. A decisão concedeu prazo de 30 dias para que a Prefeitura de Campo Grande, a Agetran e a Agereg indiquem um interventor e apresentem um plano de ação, sob pena de multa diária de R$ 300 mil.
O juiz Eduardo Lacerda Trevisan apontou indícios de má prestação do serviço, falhas na execução contratual e omissão do poder público municipal. A decisão teve como base uma ação popular e levou em consideração as irregularidades identificadas pela CPI do Transporte Coletivo, que apontou descumprimento sistemático de obrigações contratuais, gestão financeira opaca e indícios de irregularidades graves por parte do consórcio.
Segundo o magistrado, a ausência de providências do município diante das recomendações da CPI configura conduta omissiva passível de controle judicial, justificando a intervenção administrativa como medida corretiva urgente.
Até o momento, o Ministério Público informou que ainda não foi oficialmente notificado da decisão. O Consórcio Guaicurus e a Prefeitura de Campo Grande também afirmaram que aguardam comunicação formal para avaliar as medidas legais cabíveis.
Enquanto o impasse persiste, mais de 100 mil usuários seguem sendo afetados diariamente pela paralisação total do transporte coletivo na Capital.