Restauro da Igreja São Benedito, na Comunidade Tia Eva, começa em 2026

Projeto prevê recuperação do templo histórico e requalificação completa do entorno, com investimento de R$ 2,2 milhões

Por Karina Lima-Gabriela Porto

Fotos: Samuel Rocha e Ricardo Gomes

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O projeto de restauro da Igreja de São Benedito, na Comunidade Quilombola Tia Eva, em Campo Grande, foi apresentado à comunidade, destacando sua importância histórica e cultural. A obra, orçada em R$ 2,213 milhões e com duração prevista de 540 dias, começará em janeiro de 2026. O restauro incluirá a recuperação do templo e requalificação do entorno, que contará com uma nova praça e melhorias no salão comunitário. Líderes comunitários ressaltaram a importância do projeto para a preservação da identidade local.

O projeto de restauro da Igreja de São Benedito, localizada na Comunidade Quilombola Tia Eva, em Campo Grande, teve seus detalhes apresentados à comunidade em reunião realizada no fim da tarde de terça-feira (16). O encontro reuniu representantes da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), lideranças comunitárias e integrantes do poder público municipal e estadual, marcando uma etapa decisiva para a preservação de um dos patrimônios históricos e culturais mais simbólicos do Estado.

A obra será executada pela empresa Marco Arquitetura, Engenharia, Construções e Comércio LTDA, vencedora da Concorrência Eletrônica nº 030/2025-DLO, homologada em 14 de outubro de 2025. O contrato tem valor estimado em R$ 2,213 milhões, com prazo de execução de 540 dias, a partir da Ordem de Início dos Serviços. O começo das obras está previsto para 13 de janeiro de 2026.

De acordo com o gerente de projetos e orçamento da Agesul, Adanilto Faustino de Souza Júnior, a prioridade será o restauro da igreja. A expectativa é que essa etapa esteja bastante avançada até o período das festividades da comunidade no próximo ano, com possibilidade de inauguração do templo antes da conclusão total do projeto. “O restante das intervenções segue o prazo de um ano e meio previsto em contrato”, explicou.

O projeto arquitetônico foi inicialmente contratado pela Prefeitura de Campo Grande, elaborado a partir de consultas à comunidade, e posteriormente doado ao Governo do Estado para execução. As intervenções contemplam o restauro completo do templo, com recuperação de portas, janelas e estruturas de madeira originais, reforço do telhado, que atualmente apresenta comprometimento estrutural, consolidação da fachada, correção de fissuras, pintura geral, recuperação dos pisos, dos altares, do mobiliário e do acervo de imagens sacras.

Além da igreja, o projeto prevê uma ampla requalificação do entorno. As construções posteriores ao templo serão demolidas e dará lugar a uma praça no entorno imediato, com novo paisagismo e reorganização dos espaços. O busto de Tia Eva passará por restauro e será reposicionado em local de maior destaque, assim como o cruzeiro, que também será restaurado.

O espaço contará ainda com área destinada a visitantes, turistas e atividades educativas. O salão comunitário passará por reforma completa, com ampliação da capacidade, adequação de banheiros, palco, construção de cozinha, melhorias no bar e adaptações às normas de acessibilidade, segurança contra incêndio e pânico.

Para o presidente da Associação dos Descendentes de Tia Eva, Ronaldo Jefferson da Silva, o restauro representa a preservação da memória e da identidade da comunidade.

“A igreja é o símbolo máximo da nossa história. Foi construída por Tia Eva e carrega seu legado. Manter essa memória viva é uma responsabilidade dos descendentes e de toda a sociedade”, afirmou.

O secretário de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, destacou o caráter simbólico e institucional do projeto.

“Este é um momento de prestação de contas e de diálogo com a comunidade. A Tia Eva é um símbolo de resistência, de apoio às comunidades quilombolas e parte fundamental da história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Preservar esse patrimônio é preservar a nossa identidade”, ressaltou.

Já o superintendente do Iphan em Mato Grosso do Sul, João Henrique dos Santos, um dos autores do projeto, afirmou que o reconhecimento da igreja como patrimônio cultural brasileiro está em andamento.

“É um momento ímpar para a comunidade. Em breve, a Igreja de São Benedito será reconhecida também pelo Iphan, coroando um trabalho coletivo do município, do Governo do Estado e da própria comunidade. Ganha a memória, ganha a identidade, ganha Campo Grande e ganha Mato Grosso do Sul”, concluiu.

FONTE: Fundação de Cultura MS