Fiscalização da PRF flagra falhas no transporte de eucalipto e aplica multas em MS
Toras se soltaram durante o trajeto e atingiram veículos em trechos de alto fluxo; ninguém ficou ferido, mas fiscalização foi intensificada em Mato Grosso do Sul.
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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) autuou mais de dez caminhões por irregularidades no transporte de toras de eucalipto na BR-262, em Mato Grosso do Sul, após acidentes relacionados ao desprendimento da carga. As principais falhas observadas foram a ausência e a inadequação da amarração das toras, que pode causar acidentes. O transporte de toras deve seguir normas específicas, como a emissão da Autorização Especial de Trânsito e a amarração em dois pontos, sob pena de multa e retenção do veículo. A PRF recomenda que motoristas mantenham distância de 50 metros de caminhões com toras e destaca o transporte ferroviário como alternativa mais segura.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) autuou mais de dez caminhões por irregularidades no transporte de toras de eucalipto na BR-262, em Mato Grosso do Sul. A fiscalização foi intensificada após o registro de acidentes causados pelo desprendimento da carga, que atingiu veículos em diferentes pontos da rodovia. Apesar dos danos materiais, não houve feridos.
Os casos ocorreram em trechos com grande circulação de carretas que transportam madeira para a indústria de celulose. Em um dos episódios, uma tora perfurou a lateral de um micro-ônibus. Em outro, o tronco atravessou o para-brisa de um carro, apresentando o risco provocado pela falha na amarração da carga.
Segundo a PRF, o principal problema identificado durante as abordagens foi a ausência ou inadequação da amarração das toras, o que aumenta significativamente a chance de deslocamento da carga durante o percurso.
“Uma das dificuldades que a PRF encontra nas fiscalizações é a carga externa sem a devida amarração. O transportador inicia a viagem dessa forma e, com a vibração do caminhão, o material pode se soltar e causar acidentes”, explicou o inspetor da PRF Tércio Baggio.
Regras específicas para o transporte
De acordo com a PRF, o transporte de toras de eucalipto exige o cumprimento de normas específicas de segurança. Entre elas, está a Autorização Especial de Trânsito (AET), emitida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), obrigatória para veículos longos.
Além disso, a carga deve estar amarrada em pelo menos dois pontos, com o uso de cintas ou correntes adequadas, que não podem apresentar cortes, fissuras ou desgaste.
“O descumprimento dessas regras configura infração grave”, afirmou o inspetor José Antônio Fagundes.
A penalidade inclui multa de R$ 195, cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e retenção do veículo até que a carga seja regularizada.
Impacto do crescimento do setor
O aumento do fluxo de carretas está diretamente relacionado à expansão do setor de celulose em Mato Grosso do Sul, que abriga uma das maiores fábricas do mundo, em Ribas do Rio Pardo, além de uma nova unidade em construção no município de Inocência. A BR-262 é uma das principais rotas utilizadas para o transporte da matéria-prima.
A PRF orienta que motoristas mantenham distância mínima de 50 metros de caminhões que transportam toras, como medida preventiva.
Alternativa logística
Para o Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST), o transporte ferroviário é a alternativa mais segura para cargas pesadas e contínuas, como madeira e celulose.
“Além de ser mais eficiente do ponto de vista ambiental e de custos, o transporte ferroviário apresenta um risco significativamente menor de acidentes”, afirmou o presidente-executivo do IST, Carlos Machado.
A fábrica em construção em Inocência já possui autorização para implantar 50 quilômetros de trilhos para o escoamento da produção. Já a ferrovia que liga o leste de Mato Grosso do Sul ao estado de São Paulo segue sem operação.