Greve dos ônibus continua nesta terça-feira em Campo Grande

Motoristas mantêm paralisação após assembleia; prefeitura afirma que repasses estão em dia, enquanto consórcio aponta dívida acumulada desde 2022

Por -Gabriela Porto
Greve dos ônibus continua nesta terça-feira em Campo Grande
Foto: Diego Queiroz
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A greve do transporte coletivo em Campo Grande continua na terça-feira (16), impactando cerca de 110 mil usuários, devido ao não pagamento integral dos salários dos trabalhadores. O sindicato alega que 100% dos motoristas permanecem em greve, ignorando uma decisão judicial que permitia a circulação de 70% da frota. A Prefeitura nega haver inadimplência e afirma que os repasses ao consórcio estão em dia, enquanto o consórcio Guaicurus diz que a crise se deve a uma dívida de R$ 39 milhões acumulada desde 2022. Além disso, a falta de repasses compromete o pagamento dos trabalhadores, que já enfrentam atrasos salariais.

 

A greve do transporte coletivo em Campo Grande será mantida nesta terça-feira (16), após decisão tomada em assembleia virtual do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano (STTCU). A paralisação, iniciada na manhã de segunda-feira (15), já impacta cerca de 110 mil usuários do sistema.

De acordo com o sindicato, 100% dos motoristas permanecem em greve, mesmo após decisão da Justiça do Trabalho que autorizou a paralisação parcial, com exigência de 70% da frota em circulação. Uma reunião de conciliação entre trabalhadores, consórcio e prefeitura está prevista para a tarde desta terça-feira.

O presidente do STTCU, Demétrio Freitas, afirmou que a paralisação ocorre devido ao não pagamento integral dos salários dos trabalhadores. Segundo ele, apenas parte da folha foi quitada na semana passada, o que levou à decisão de manter a greve por tempo indeterminado, apesar da multa judicial.

Prefeitura nega inadimplência

A Prefeitura de Campo Grande e a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) afirmam que não há inadimplência por parte do município. Segundo o diretor-executivo da Agereg, Otávio Figueroa, todos os repasses ao Consórcio Guaicurus estão em dia e devidamente comprovados.

De acordo com a agência, somente em 2025 foram repassados mais de R$ 35 milhões ao consórcio, somando subvenções e valores de vale-transporte. O município também arca com gratuidades, isenções de ISS e pagamentos referentes a estudantes, servidores públicos e usuários dos serviços de assistência social e saúde.

Multas e qualidade do serviço

A Agereg afirma ainda que o consórcio descumpre cláusulas contratuais relacionadas à renovação da frota e à manutenção dos veículos, o que resultou na aplicação de uma multa de R$ 12 milhões pela ausência de seguro obrigatório.

“O serviço está abaixo da qualidade prevista em contrato. Por isso, a agência reguladora tem aplicado penalidades”, afirmou Figueroa.

Consórcio aponta dívida de R$ 39 milhões

Já o Consórcio Guaicurus sustenta que a paralisação é consequência de uma dívida acumulada desde 2022, estimada em R$ 39 milhões, referente ao descumprimento do quarto termo aditivo do contrato.

Segundo o diretor-presidente do consórcio, Themis de Oliveira, o termo estabeleceu a diferença entre a tarifa pública, paga pelo usuário, e a tarifa técnica, que representa o custo real do serviço.

“Atualmente, a tarifa técnica é de R$ 6,57, enquanto o usuário paga R$ 4,95. Essa diferença deveria ser compensada pelo município, o que não ocorreu”, afirmou.

De acordo com o consórcio, somente nos últimos 12 meses a dívida soma R$ 8,5 milhões, além de R$ 4,8 milhões referentes ao transporte de estudantes da rede estadual.

Impacto nos salários

Ainda segundo Themis, a falta de repasses comprometeu o pagamento dos trabalhadores. Apenas metade dos salários foi quitada, e há risco de atraso no 13º salário e no adiantamento salarial.

Tarifa e impacto financeiro

A Agereg alerta que pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro podem resultar em aumento da tarifa técnica, com impacto direto nos cofres públicos.

“Qualquer elevação da tarifa técnica acaba sendo financiada, direta ou indiretamente, pela população”, destacou a agência.


FONTE: G1
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