De MS para o mundo: atleta sul-mato-grossense compete na Fodaxman, uma das provas mais duras do país

João Paulo Morisson é o único sul-mato-grossense inscrito e encara 4 km de natação, 176 km de ciclismo e 39 km de corrida

Por Por Redação-

(Créditos: Divulgação)

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O policial militar João Paulo Morisson Fernandez, de 38 anos, representará Mato Grosso do Sul na Fodaxman, um dos triathlons extremos mais desafiadores do país, que ocorre em Santa Catarina. Com um percurso de 4 km de natação, 176 km de ciclismo e 39 km de corrida, a prova exige resistência física e emocional. Após participar do Patagonman, João se dedicou intensamente à preparação, considerando a jornada como um processo de autoconhecimento. Ele não só leva o nome do Estado nas competições, mas também treina no Parque dos Poderes em Campo Grande, fortalecendo vínculos familiares e comunitários através do esporte.

O policial militar João Paulo Morisson Fernandez, de 38 anos, servidor público estadual, será o único representante de Mato Grosso do Sul na Fodaxman, uma das provas de triathlon extremo mais exigentes do país, realizada neste sábado (13), em Santa Catarina. Além do desafio físico, ele carrega o simbolismo de levar o nome do Estado a um circuito reconhecido internacionalmente.

A Fodaxman compõe o calendário global de competições extremas e exige dos atletas um conjunto de resistência física, preparo emocional e capacidade de adaptação. O percurso é feito ponto a ponto: 4 km de natação na Barragem do Rio São Bento, em Siderópolis; 176 km de ciclismo; e 39 km de corrida até Urubici, no topo da Serra Catarinense.

A decisão de participar da prova surgiu após a experiência no Patagonman, outro triathlon extremo que, segundo João, redefiniu sua relação com o esporte. “Depois que eu terminei a Patagônia, ela me inspirou a fazer mais desafios no triathlon, a viver mais experiências do triathlon extremo em outros lugares. Foi uma experiência de vida fantástica”, afirma.

Motivado, ele iniciou a preparação já no começo do ano. “Terminei o Patagonman e já engrenei no ritmo. Desde janeiro eu não parei, foquei nessa prova”.

Começo no escuro, término no frio

A largada ocorre às 3h40, ainda durante a madrugada, com a natação na barragem. O trecho inclui o contorno da torre da antiga capela submersa de São Bento, algo que João descreve como impactante: “A gente nada em volta da torre da capela, que está submersa. Só de imaginar nadando num lugar desse já arrepia”.

O desafio segue com 176 km de ciclismo, acumulando cerca de 3.850 metros de altimetria e incluindo a famosa Serra do Rio do Rastro, conhecida por curvas íngremes e exigência técnica. A prova termina com 39 km de corrida até o Morro da Igreja, a 1.818 metros de altitude. “Você sai de uma barragem onde tem uma capela inundada e termina no Morro da Igreja. É igreja do começo ao fim. Parece que o esporte vira um detalhe perto da experiência”, resume.

Preparação, renúncia e disciplina

João reforça que provas dessa magnitude exigem rotina, renúncia e foco. “Não é fácil. Tem que abrir mão de muita coisa. Mas não é dedicar meses pra um dia só. Toda a jornada é construtiva. Durante a jornada eu desenvolvo autoconhecimento, autodisciplina e autodomínio”, explica. Para ele, a preparação vale tanto quanto a linha de chegada. “O que vale é o meu propósito e a minha jornada”. Ele afirma que o esporte muitas vezes se torna “detalhe” diante de tudo o que vivencia durante o processo.

Filho de um profissional de Educação Física, João cresceu dentro do universo esportivo e hoje transmite isso aos filhos. “Meu pai é professor de Educação Física, então a atividade física sempre fez parte da minha educação. Hoje, eu vivo isso e levo para dentro da minha casa, com meus filhos”, afirma.

Além da vivência familiar, o servidor já acumula conquistas expressivas: completou o Ironman Brasil, o Ironman 70.3, quatro maratonas, uma ultramaratona de 75 km e duas provas de 100 km.

Treinos no Parque dos Poderes

Grande parte da preparação ocorre no Parque dos Poderes, em Campo Grande, espaço que se tornou referência para treinos de alta intensidade. O local oferece vias estruturadas, pistas adequadas e academias ao ar livre que servem tanto a iniciantes quanto a atletas avançados.

O secretário de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, reforça a importância do ambiente. “Quando vou fazer atividade física no Parque dos Poderes, muitas vezes encontro o João treinando. Isso mostra como o espaço é vivo e cumpre sua função de estimular hábitos saudáveis e também preparar atletas para grandes desafios”, afirma.

Ele destaca ainda que o parque passou por revitalização, ampliando a qualidade das estruturas esportivas. “Hoje, o Parque dos Poderes oferece uma estrutura completa, com asfalto de qualidade, pistas bem conservadas, academias ao ar livre e um ambiente que favorece tanto quem está começando quanto atletas de alto rendimento”.

Representando MS no circuito extremo

João também se dedica a levar a identidade sul-mato-grossense para onde compete. No Patagonman, ele já era o único representante do Estado — cenário que se repete na Fodaxman. Para marcar presença, chegou a personalizar o capacete com as cores de Mato Grosso do Sul. “Quero mostrar que aqui no estado também existe triathlon de alto nível, gente disciplinada, gente que treina e vive o esporte”, afirma.

Ele contará com apoio do pai e do irmão, ambos com experiência esportiva e militar, para garantir logística, hidratação e alimentação ao longo do percurso. “A prova exige apoio. Não dá pra fazer sozinho. Ter minha família comigo faz toda a diferença”.

Com temperaturas variando entre 5 °C e 35 °C, grande altimetria e longas horas de esforço, a Fodaxman é considerada uma das provas mais duras do país. Mas João encara o percurso como uma jornada de significado pessoal. “Você vai para sofrer, mas é um sofrimento bom. A paisagem, o ambiente, tudo isso dá força. O esporte, às vezes, parece só um detalhe. O que vale é a experiência”, diz.